O Bitcoin (BTC) opera em queda nesta terça-feira (3), negociado abaixo de US$ 77 mil, pressionado pela forte desvalorização das ações de tecnologia nos Estados Unidos e pelas incertezas em torno das eleições legislativas americanas, que acontecem hoje. A maior criptomoeda do mercado chegou a cair mais de 2% nas últimas 24 horas, apagando a recuperação registrada na segunda-feira e voltando a ser negociada abaixo dos US$ 77 mil. Nesta manhã, o Bitcoin tem queda de 1,6%, cotado a US$ 76.913 em 24 horas. Em reais, a maior criptomoeda do mundo estava em R$ 422.091, segundo dados do Portal do Bitcoin. O Ethereum, por sua vez, cai 1,4%, a US$ 2.266. Já o XRP sobe 0,1%, enquanto a Solana recua 2,5% e a BNB tem queda de 1,9%. O movimento amplia a sequência negativa do BTC, que caminha para registrar sua quinta semana consecutiva de perdas. Caso a tendência se confirme até o fechamento de domingo, será a terceira maior sequência de quedas semanais da história da criptomoeda. O recorde foi registrado em 2022, quando o BTC acumulou oito semanas seguidas de desvalorização. Além das preocupações macroeconômicas, o mercado de criptomoedas continua sentindo os efeitos do ataque hacker sofrido pela Binance na semana passada, que resultou no roubo de mais de US$ 6 bilhões em ativos digitais. O episódio abalou a confiança dos investidores e contribuiu para uma nova onda de retiradas de recursos dos fundos de índice (ETFs) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos. Leia também: Como as eleições nos EUA podem impactar o Bitcoin e o mercado cripto Segundo dados da SoSoValue, os ETFs americanos de Bitcoin registraram saídas líquidas de US$ 398,6 milhões na segunda-feira (2), depois de perderem US$ 643,3 milhões na sexta-feira (30). O movimento indica uma redução da exposição de investidores institucionais à criptomoeda em um momento de maior aversão ao risco. Queda das ações de tecnologia pressionam Bitcoin Um dos principais fatores por trás da queda do Bitcoin é a forte correção das ações de tecnologia nos Estados Unidos, especialmente entre empresas ligadas à inteligência artificial e à fabricação de semicondutores. Um índice que acompanha fabricantes americanos de chips acumulou perdas de aproximadamente 12% em três pregões, enquanto o Nasdaq 100 recuou cerca de 10% em relação à máxima recente, entrando em território de correção técnica. O S&P 500 também terminou a última sessão em baixa de 0,5%. A onda de vendas se espalhou para os mercados asiáticos nesta terça-feira. Na Coreia do Sul, o índice Kospi registrou queda de aproximadamente 3,6%, enquanto o principal índice de Taiwan perdeu percentual semelhante, refletindo o receio dos investidores com as perspectivas do setor de tecnologia. O pessimismo ganhou força após a Apple divulgar seus resultados trimestrais na segunda-feira. Embora a companhia tenha superado as expectativas de receita e lucro, suas projeções preocuparam o mercado. A fabricante do iPhone alertou que o aumento expressivo dos preços dos chips de memória e os custos relacionados às suas ferramentas de inteligência artificial devem pressionar suas margens de lucro. As ações da Apple chegaram a recuar aproximadamente 5% nas negociações anteriores à abertura de Wall Street, ampliando as preocupações com os custos dos investimentos em inteligência artificial e a capacidade das grandes empresas de tecnologia de manter seus resultados. A deterioração do humor nas bolsas acaba afetando o Bitcoin, que tem apresentado forte sensibilidade aos movimentos das ações de tecnologia. Eleições nos EUA e tensões com o Irã aumentam incertezas Outro fator que mantém os investidores cautelosos são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira. A votação definirá a composição do Congresso americano e poderá alterar o equilíbrio político em Washington, com consequências para a agenda econômica e regulatória do governo Donald Trump. Segundo a Reuters, investidores que negociam na plataforma de previsões Polymarket atribuíam uma probabilidade de aproximadamente 77% aos democratas de conquistarem o controle das duas casas do Congresso. Uma vitória desse tipo poderia abrir caminho para uma fiscalização mais rigorosa das empresas de inteligência artificial e outras mudanças na regulação corporativa. Para o mercado de criptomoedas, o resultado também é relevante porque pode influenciar o andamento de projetos de lei relacionados aos ativos digitais e a capacidade do governo Trump de avançar com sua agenda favorável ao setor. As preocupações políticas se somam às novas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra a ilha iraniana de Qeshm, no Estreito de Ormuz, após um incidente envolvendo forças iranianas e uma aeronave americana. O episódio trouxe novas dúvidas sobre as perspectivas de um acordo para encerrar o conflito na região. O petróleo voltou a subir diante das notícias, com o barril do Brent superando US$ 106 e o WTI se aproximando dos US$ 98. A alta ocorre após uma forte queda das cotações na segunda-feira, quando expectativas de um possível acordo de paz haviam provocado alívio nos mercados. Nesse cenário, os investidores acompanham os resultados das eleições americanas e o comportamento das bolsas de tecnologia em busca de sinais sobre os próximos movimentos do Bitcoin. Analistas da Bitfinex avaliam que o desempenho do mercado acionário provavelmente será determinante para a faixa de negociação da criptomoeda nesta semana. Do ponto de vista técnico, a região de US$ 76.400 aparece como um suporte importante no curto prazo. 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