Irã recebe potências regionais para discutir formas de evitar nova escalada da guerra

Altas autoridades da Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, países integrantes do recém-assinado Pacto de Meca, devem se reunir nesta segunda-feira, em Teerã, com líderes iranianos, no primeiro contato de alto nível desde que o reino saudita se tornou um dos focos de tensão no conflito mais amplo envolvendo o Irã. A Arábia Saudita será representada pelo ministro da Defesa, príncipe Khalid bin Salman; o Paquistão, pelo chefe do Exército, marechal de campo Asim Munir; e a Turquia, pelo chefe da inteligência, Ibrahim Kalin, segundo autoridades sauditas e iranianas. Os ataques dos houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, se intensificaram nas últimas semanas, enquanto a retórica entre Washington e Teerã se tornou mais agressiva. Os dois países também elaboraram planos para retomar a guerra em maior escala, possivelmente após as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos, em 3 de novembro. As conversas previstas para esta segunda-feira serão o primeiro contato de alto nível entre o Irã e todos os integrantes do bloco formado pelos três países desde que a Arábia Saudita passou a se envolver mais profundamente no conflito. Pelo Acordo de Defesa Conjunta de Meca, assinado em agosto, um ataque armado contra um dos integrantes é considerado um ataque contra todos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que as discussões sobre segurança regional incluirão "as políticas expansionistas de Israel, os acontecimentos nos territórios palestinos e no Líbano e as repercussões das ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã". Baghaei disse que a reunião, proposta durante uma visita de Munir a Teerã na semana passada, poderá representar um primeiro passo para o estabelecimento de mecanismos de segurança regional baseados nos interesses dos países da região. Mediadores do Catar se reuniram com autoridades iranianas em Teerã no domingo, em uma tentativa de reduzir as tensões regionais, informou a Reuters. Há meses, o Catar desempenha um papel de mediação entre Teerã e Washington. Uma autoridade iraniana de alto escalão afirmou que a reunião foi uma iniciativa do Paquistão, durante a visita de Munir a Teerã, quando ele se encontrou com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e outras autoridades de alto escalão. Durante a visita, autoridades iranianas disseram a Munir que não haveria negociações com Washington até que as exigências de Teerã fossem atendidas, segundo a imprensa iraniana. Esforços anteriores de mediação envolvendo tanto o Paquistão quanto o Catar ajudaram a produzir um acordo provisório de paz em junho, mas o entendimento rapidamente se desfez, com a retomada dos confrontos entre o Irã e os Estados Unidos semanas depois. O vice-secretário do principal órgão de segurança do Irã, Ali Baqeri-Kani, disse à televisão estatal que o ministro da Defesa saudita, príncipe Khalid, o paquistanês Munir e o chefe da inteligência turca, Ibrahim Kalin, visitariam Teerã para consultas com o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã sobre segurança regional. Já o vice-ministro saudita de Diplomacia Pública, Rayed Krimly, afirmou que a reunião faz parte dos esforços contínuos dos países do Pacto de Meca para reduzir a escalada da crise atual, promover soluções diplomáticas e apoiar as iniciativas de mediação lideradas pelo Catar e pelo Paquistão. "A visita também ressalta o papel fundamental dos países do Pacto de Meca na promoção da segurança e da estabilidade regionais, bem como seu compromisso de trabalhar com todas as nações da região para alcançar esse objetivo", escreveu Krimly na rede social X. A área de comunicação das Forças Armadas do Paquistão e o Ministério das Relações Exteriores da Turquia não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Outdoor em Teerã mostra o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, em um esvaziado plenário da ONU Majid Asgaripour/WANA via Reuters Tensões em alta A Arábia Saudita interceptou uma nova onda de mísseis e drones no domingo, enquanto os confrontos com os houthis prosseguiam sem trégua. Ministros dos países do Pacto de Meca realizaram uma reunião de emergência em Riad no início deste mês e concordaram em garantir o "rápido envio" de forças e recursos militares para a Arábia Saudita. Os ataques dos houthis se tornaram um fator cada vez mais desestabilizador no conflito dos Estados Unidos e de Israel com o Irã, transformando a Arábia Saudita, aliada de Washington, em um dos focos de pressão na guerra mais ampla. As tensões entre Washington e Teerã se intensificaram nos últimos dias. O presidente Donald Trump afirmou na sexta-feira que os Estados Unidos poderão realizar outra operação militar contra o Irã, enquanto líderes iranianos disseram que uma nova campanha militar americana receberia uma resposta mais forte do que a anterior. Autoridades de segurança iranianas disseram à Reuters que Teerã elaborou planos detalhados para atacar cabos submarinos no Golfo caso os Estados Unidos e Israel voltem a lançar ataques. Um memorando da inteligência americana divulgado nesta semana alertou que planos iranianos para atacar funcionários americanos haviam chegado a "estágios avançados". A guerra, que já dura quase oito meses, tem prejudicado os índices de aprovação do presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato. O primeiro artigo do Acordo de Meca estabelece que as partes deverão utilizar "todos os meios necessários" para eliminar ameaças à integridade territorial, à soberania ou às fronteiras internacionalmente reconhecidas umas das outras, segundo uma cópia do texto à qual a Reuters teve acesso. Os esforços do Parlamento turco para ratificar o acordo começaram na semana passada e ainda estão em andamento, enquanto o Paquistão aprovou o pacto na semana passada.

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