Documentário mostra bastidor de ataques

O ex-diretor da CIA e general da reserva David Petraeus é um dos entrevistados no documentário da Semperis Reprodução/Semperis Os bastidores de ataques ciberbéticos com repercussão mundial contados na perspectiva executivos de cibersegurança e ex-hackers são o tema do documentário “Midnight in the War Room” (Meia- noite na Sala de Gerra). O filme é a primeira produção da Semperis, empresa de tecnologia focada na proteção de identidades digitais. Ainda não chegou ao grande público, mas a empresa está em negociações com plataformas de streaming. A entrada da empresa de tecnologia no mundo do cinema abre uma nova frente de divulgação de sua marca, disse, ao Valor, o coprodutor e roteirista do documentário e diretor sênior de comunicação da Semperis, Bill Keeler. O filme, que estreou em agosto na conferência de cibersegurança Black Hat 2026, foi exibido em uma sessão fechada para jornalistas nesta terça-feira (27), em São Paulo. “Queríamos fazer algo que fugisse do marketing tradicional - algo que realmente causasse impacto na comunidade global de profissionais de defesa”, diz Keller. O documentário produzido entre abril de 2025 e agosto de 2026 traz 50 entrevistas com líderes de segurança nacional do governo americano, especialistas em cibersegurança e hackers que mudaram de lado. O executivo informa que a empresa também pretende inscrever o documentário em festivais de cinema. “Conversamos com executivos de segurança da informação, que aparecem no filme, e estávamos muito cientes da ansiedade, da pressão e do estresse que acompanham esse cargo, além da enxurrada incessante de ataques cibernéticos que atingem as empresas dia após dia, hora após hora. Não importa se é segunda-feira ou fim de semana”, disse Keller. Entre os líderes de segurança entrevistados no documentário está o ex-executivo-chefe de segurança da informação da empresa de tecnologia SolarWinds, Tim Brown. O executivo foi processado pela U.S. Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, em outubro de 2023, por suposta omissão de vulnerabilidades da empresa, após um ciberataque atribuído a um grupo de hackers russos, que afetou 18 mil empresas entre 2019 e 2020. O caso foi encerrado em novembro do ano passado. O documentário também traz depoimentos de ex-integrantes do governo americano como o da ex-diretora da Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança dos EUA (CISA), Jen Easterly; do ex-diretor da Agência Central de Inteligência americana (CIA) e general da reserva David Petraeus, e do o ex-hacker Jesse McGraw. Em 2011, McGraw foi condenado a nove anos de prisão após derrubar o sistema de um hospital do Texas (EUA). Hoje, atua como pesquisador e consultor de cibersegurança. Outros casos mostrados pelo documentário envolvem ataques de sequestros de dados (ransomware) ao sistema nacional de saúde do Reino Unido, em 2017, e à distribuidora de combustíveis americana Colonial Pipeline, em 2021. Para produzir o filme, a Semperis criou uma divisão de audiovisual, a Semperis Studios, com a idea de lançar mais documentários e filmes sobre cibersegurança. O valor investido na produção do primeiro documentário da empresa não foi informado. Desde a estreia do filme, a Semperis tem sido procurada por executivos de cibersegurança para a exibição de sessões fechadas do filme em organizações, informou o vice-presidente da Semperis para a América Latina, Fernando Oliveira. Embora os investimentos das organizações em cibersegurança estejam crescendo, de forma geral, a urgência por geração de resultados com aplicações de inteligência artificial e o acesso dos cibercriminosos a ferramentas de IA para promoção de ataques elevam a pressão sobre os executivos da área. A Semperis, fundada em 2013 nos EUA, ganhou o status de unicórnio em 2022, com avaliação superior a US$ 1 bilhão após uma rodada de investimentos de US$ 200 milhões liderada pela gestora de capital privado KKR &Co. Em junho de 2024, levantou mais US$ 125 milhões em outra rodada sob a liderança do banco JP Morgan. Atualmente, a companhia tem 697 funcionários atendendo 1.400 clientes em 40 países. No Brasil, quando chegou em 2025, emprega cinco pessoas.

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