A primeira prévia do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de outubro, divulgada na sexta-feira (9), registrou alta de 0,58%, após 0,93% em setembro. André Braz, coordenador de índices de preços da FGV Ibre, alertou que os efeitos do El Niño sobre os alimentos podem pressionar a inflação no Brasil até o fim do ano. O fenômeno El Niño, ao alterar padrões climáticos, provoca secas ou chuvas excessivas que afetam a produção e o transporte de culturas agrícolas, resultando em uma redução da oferta de alimentos. Essa escassez eleva os preços no atacado (IPA) e, consequentemente, no varejo, impactando os índices de inflação. A persistência da inflação de alimentos pode influenciar as expectativas de política monetária, levando o Banco Central a manter a taxa Selic em patamares elevados por mais tempo ou a considerar novos aumentos, impactando o custo do crédito e o desempenho de empresas mais endividadas. André Braz, da FGV Ibre, expressou preocupação com a continuidade da pressão inflacionária, destacando a contribuição do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) para o IGP-M. O El Niño de 2015-2016, por exemplo, causou uma alta de 11,47% no IPCA de alimentos e bebidas em 2015 e 9,40% em 2016, demonstrando o potencial de impacto severo na inflação. Acompanhar as próximas divulgações das prévias do IGP-M e do IPCA, bem como as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic. A intensidade e duração dos efeitos do El Niño, a capacidade de o setor agrícola se adaptar e a resposta da política monetária do Banco Central determinarão o desfecho da pressão inflacionária.
As próximas divulgações das prévias do IGP-M (final de outubro) e do IPCA (início de novembro) serão cruciais para confirmar a intensidade da pressão inflacionária. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic na reunião de 4 de novembro de 2026 definirá os próximos passos da política monetária em resposta a este cenário.
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