Entenda o que a PF disse ao STF para reter o passaporte de Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, desembarcou em Miami, nos Estados Unidos, nesta manhã (28), após deixar o Brasil na noite anterior, cruzando a fronteira com a Argentina. A saída do país ocorreu apesar da decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes para que ele entregasse os passaportes, e da proibição de ir para o exterior. : A decisão do ministro atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF) que apontou a possibilidade fuga do senador para os Estados Unidos. A corporação apresentou a solicitação ainda no domingo (25), após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarar a derrota de Flávio. A PF citou três motivos para suspeitar que ele deixaria o Brasil: envolvimento com pessoas de elevado poder econômico nos fatos investigados; existência de uma estrutura no exterior apta a viabilizar a sua permanência prolongada no país, e a manifestação pública e direta de Eduardo Bolsonaro, seu irmão, recomendando que ele saísse do país se não fosse eleito. Flávio e Willer Tomaz O primeiro fator diz respeito à investigação que tem como alvos Flávio e o seu amigo, o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados por suposta lavagem de dinheiro e, de acordo com a PF, Willer está fora do Brasil desde agosto e "dispõe de recursos financeiros suficientes para permanecer indefinidamente no exterior, caso assim deseje". Nessa investigação, a PF apura se Flávio teria atuado como sócio oculto de Tomaz em uma empresa de apostas, por meio da qual teriam lavado dinheiro. A apuração foi aberta em outubro e está sob a relatoria de Moraes. Eduardo Bolsonaro e 'Dark Horse' Já a estrutura de permanência de longa duração, segundo os investigadores, seria providenciada pelo seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos EUA desde o começo de 2025. Os investigadores citam suspeitas de que os recursos obtidos para financiar "Dark Horse", filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, tenham sido, na verdade, utilizados para custear a permanência de Eduardo no país. Além disso, mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mostram que Flávio negociou R$ 134 milhões com ele para bancar a produção. A apuração foi aberta em julho e está sob a relatoria do ministro André Mendonça. Além dela, o ministro Flávio Dino é relator de outro caso que apura a destinação de emendas parlamentares para a produção do filme. Ordem para entregar passaportes Flávio deveria ter entregado os passaportes até a manhã de ontem, segundo a decisão de Moraes. Na véspera, o senador publicou um vídeo nas redes sociais manifestando indignação com a decisão, mas afirmando que entregaria os documentos. No dia seguinte, no entanto, a imprensa argentina amanheceu noticiando que o político estaria no território vizinho. Passado o prazo determinado por Moraes para a entrega dos documentos, a PF solicitou o cancelamento dos passaportes. Argentina e EUA Ao longo do dia, aliados políticos, familiares e pessoas próximas ao senador não sabiam precisar onde estava Flávio, a esposa e suas duas filhas. Fontes oficiais do governo argentino também alegavam que não havia registros de entrada do senador no país. A dúvida pairou até a madrugada, quando o país informou que Flávio entrou na Argentina durante a noite e partiu imediatamente de avião para Guayaquil, no Equador, onde desembarcaram nesta manhã. Uma TV local divulgou imagens de uma van com o logotipo da "Dallas Travel Turismo LTDA" chegando junto da polícia ao aeroporto de Misiones, na região fronteiriça da Argentina. O veículo teria transportado Flávio do Brasil. Segundo o governo de Javier Milei, não havia um mandado de prisão ou impedimento legal que barrasse a entrada de Flávio e sua família no país. Segundo uma autoridade do governo de Donald Trump, o Departamento de Estado dos EUA, emitirá vistos para o senador e permitirá o ingresso no país. Flávio, que é alvo de dois inquéritos no Supremo, deve ficar sem foro privilegiado quando acabar o seu mandato de senador no fim de 2026 e, por isso, o político teme ser preso. Conforme apurou o Valor, no entanto, ministros do Supremo avaliam que a fuga de Flávio pode justificar a decretação da sua prisão preventiva.

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