Governo do DF pede ao STF repasse de R$ 2,2 bi bloqueados de pai de Vorcaro ao BRB

O Governo do Distrito Federal (GDF) pediu nesta quinta-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que R$ 2,2 bilhões bloqueados de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sejam transferidos ao Banco de Brasília (BRB). O argumento é que o BRB é “vítima” do esquema de fraude no Master e deve ser ressarcido. Na solicitação encaminhada ao presidente do STF, Edson Fachin, o governo do DF diz que o BRB foi lesado. O banco regional tenta recuperar ativos após perdas envolvendo o escândalo do Master. “Os motivos determinantes da constrição dos R$ 2,2 bilhões estão, direta ou indiretamente, relacionados às graves ilicitudes perpetradas em desfavor do BRB e do Distrito Federal, seu acionista controlador, vítimas das condutas ilícitas praticadas mediante distribuição organizada e estruturada de tarefas, estrategicamente planejadas, concebidas e implementadas pelos investigados”, diz a solicitação. Segundo o pedido, tanto o BRB quanto o GDF devem ser reconhecidos pelo Supremo como “vítimas e lesados pelas condutas investigadas” nas apurações sobre o escândalo do Master. “O DF figura, ao lado do BRB, como vítima das condutas investigadas. Acionista controlador da instituição, o ente distrital suporta, no próprio patrimônio público, os efeitos do dano causado ao banco: a desvalorização de sua participação acionária, a redução dos resultados e dividendos que lhe cabem e o risco de ter de recompor, com recursos do Tesouro distrital, a higidez patrimonial de instituição financeira pública”, prossegue. Os R$ 2,2 bilhões bloqueados estavam em uma conta de Henrique Vorcaro junto à antiga Reag. O valor foi mencionado em março, em um relatório da Polícia Federal (PF). Na ocasião, os investigadores citaram a quantia para sustentar que Vorcaro seguiu cometendo crimes mesmo depois da liquidação do Master. “Após Vorcaro ser posto em liberdade, a organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros, os quais somente foram descobertos em razão das medidas executadas por ocasião da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14/01/2026”, diz a PF em relatório enviado ao ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, no começo do ano. Em setembro, o governo do DF publicou um decreto criando uma comissão especial de recuperação de ativos e composição consensual de “danos relacionados” ao BRB. O decreto faz menção ao Master, que vendeu cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito sem lastro ao BRB. O objetivo da comissão também é atuar em casos como o agora apresentado ao Supremo. O empresário Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, do Banco Master Reprodução/LinkedIn

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