Incorporadoras buscam novos talentos para se diferenciar

A arquitetura se consolidou como um dos principais diferenciais do mercado imobiliário brasileiro, e a associação de empreendimentos a nomes consagrados passou a ser uma estratégia das incorporadoras para agregar valor. Agora, para renovar o repertório arquitetônico de seus empreendimentos, algumas incorporadoras têm apostado em escritórios que, embora reconhecidos internacionalmente, ainda não haviam atuado no segmento de “real estate”. É o caso do Estúdio Módulo, responsável pelo residencial Oscar 2525, desenvolvido pela Idea!Zarvos, na capital paulista. No edifício Oscar 2525, a proposta do Estúdio Módulo foi criar ambientes contemplativos, que proporcionam experiências sensoriais por meio de materiais, texturas e arquitetura Idea!Zarvos/Divulgação Fundado em 2015, o escritório é liderado por Marcus Vinicius Damon, Guilherme Bravin e Érica Tomasoni e ganhou um concurso fechado para projetar a nova sede do Itaú Cultural, disputado por grandes nomes da arquitetura nacional. “Participar destes concursos tem nos ajudado a chamar a atenção do mercado imobiliário”, afirma Damon. O interesse da Idea!Zarvos, no entanto, surgiu antes mesmo da premiação. A incorporadora escolheu o Estúdio Módulo para assinar o empreendimento na Zona Oeste, uma torre de uso misto com apartamentos, estúdios e lojas. O projeto busca valorizar a relação com a paisagem e a experiência dos moradores. “As unidades residenciais terão vista para o vale da Avenida Sumaré e a entrada do residencial, com jardim e espelho d'água, proporcionará uma experiência sensorial aos moradores”, detalha o arquiteto. A aposta em novos talentos faz parte da trajetória da Idea!Zarvos. “Muitos nomes da arquitetura na atualidade começaram a carreira projetando conosco, há cerca de 20 anos”, comenta Otávio Zarvos, sócio-fundador da incorporadora. Na escolha dos profissionais, segundo ele, pesam a qualidade do trabalho, a capacidade de inovar e a disponibilidade para se dedicar aos projetos. “Buscamos propostas originais, que tragam novas perspectivas”, pontua. Outro exemplo vem da Benx Incorporadora, que convidou a arquiteta capixaba Vivian Coser para assinar os interiores do condomínio Autór Jardins, em São Paulo. Com 20 anos de carreira, curadoria de design e reconhecimento internacional — incluindo o prêmio iF Design Award neste ano —, ela é referência no uso de pedras ornamentais brasileiras em projetos residenciais e comerciais. Interiores do Autór Jardins, concebidos pela arquiteta Vivian Coser: elegância e originalidade Benx Incorporadora/Divulgação “Queríamos um nome que trouxesse mais originalidade aos ambientes internos. A adoção das rochas brasileiras, proposta por ela, foi essencial para atender a essa demanda do projeto”, diz Luciano Amaral, CEO da Benx. Segundo a arquiteta, foi feita uma curadoria de pedras brasileiras, que trouxe a potência da natureza do país para o projeto. “São mármores, cristais e quartzitos, que criaram uma atmosfera mais exclusiva e sofisticada nos ambientes e valorizaram substancialmente o empreendimento”, afirma. Entre as incorporadoras-butique paulistanas, a Sanyo também aposta em novos nomes da arquitetura e contratou o Vaga Arquitetura, dos sócios Pedro Domingues e Pedro Farias, para desenvolver dois empreendimentos: Vila Gomes e Vila Indiana, nas regiões do Tatuapé e da USP, respectivamente. Com menos de 15 anos de atuação, o escritório se destaca pela composição volumétrica dos edifícios e pela maneira criativa de integrar os projetos ao território. Pojeto Vila Indiana, da Vaga Arquitetura: aproveitamento da topografia e divisão em blocos melhoram a ventilação natural Vaga Arquitetura/Divulgação “Conseguimos fazer algo diferente e gerar valor para a incorporadora, com soluções de baixo custo construtivo, otimização do aproveitamento do terreno, pátios internos e separação em blocos, que permitiram melhor circulação de ar e entrada de luz natural nos apartamentos”, detalha Domingues. Perspectiva lateral do projeto Vila Indiana Vaga Arquitetura/Divulgação SEM SOMBRA NA PRAIA No Sul do país, o arquiteto Leonardo Zanatta vem ampliando sua presença no mercado imobiliário de Santa Catarina e Paraná. Aos 31 anos, soma oito projetos em desenvolvimento em seu escritório, com sede na capital paulista, que representam juntos um VGV de R$ 2 bilhões. Reconhecido por publicações especializadas como um dos talentos promissores da arquitetura na América Latina, Zanatta tem encontrado no reconhecimento profissional uma porta de entrada para novos negócios. “Hoje, já somos mais procurados pelas incorporadoras. No mercado catarinense, conseguimos até negociar algumas condições para os projetos, como ter fachada ativa e não fazer sombra na praia”, afirma Zanatta. Em Itapema (SC), arquiteto Leonardo Zanatta levou o salão de festas para o topo do edifício Orgânica, com vista para a Meia Praia Estúdio Leonardo Zanatta/Divulgação O próximo passo é levar sua visão de arquitetura contemporânea ao concorrido mercado paulistano, onde já assina estandes de vendas para a Nortis e a Plaenge. Para o arquiteto, essa abordagem pode contribuir para qualificar os empreendimentos da capital. “Nosso trabalho parte de algumas premissas, como promover a integração dos edifícios com o entorno e adotar soluções sustentáveis que reduzam a pegada de carbono da obra. Esses princípios podem contribuir para o desenvolvimento de projetos de qualidade na cidade”, afirma Zanatta.

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