BofA recomenda ações de valor em cenário de juros e inflação alta

O Bank of America (BofA) reiterou sua preferência por ações de valor, destacando que o mercado continua a negligenciar esses ativos, apesar de seu potencial. A principal justificativa econômica é a resiliência das ações de valor em um novo regime de taxas de juros mais altas e inflação sustentada, onde o custo de capital e a disciplina financeira são mais valorizados. Consequentemente, espera-se que ETFs de valor como VTV e IWD, e empresas com balanços sólidos e múltiplos baixos, superem as de crescimento, como as de tecnologia. Para o investidor brasileiro, isso implica uma possível valorização de setores como bancos (ITUB4, BBDC4) e utilities (TAEE11, EGIE3) que tendem a ser mais "value-oriented" em um ambiente de Selic elevada. Historicamente, no período pós-crise de 2008 até 2020, o crescimento superou o valor, mas em ciclos de alta inflação, como nos anos 1970, o valor obteve melhor performance, com o índice Russell 1000 Value superando o Growth em 10% anualmente na década. O próximo gatilho a monitorar é a decisão do FOMC em 16 de setembro de 2026, que pode solidificar ou alterar as expectativas de juros, impactando diretamente essa tese. No médio prazo, se o cenário de "higher for longer" nas taxas de juros persistir, a tese de valor ganhará força, mas uma desaceleração econômica severa poderia levar a um "flight-to-quality" para empresas de crescimento de alta qualidade.

Análise

Nas próximas 4-8 semanas, se o Fed mantiver um tom hawkish na reunião de 16 de setembro, a rotação para value pode acelerar, com ETFs como VTV potencialmente testando $185-188. No médio prazo (3-6 meses), a sustentação da inflação e dos juros pode levar a um underperformance continuado de growth stocks, com value consolidando ganhos.

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