A indústria brasileira de segurança eletrônica vive um ciclo de expansão impulsionado pela digitalização de residências, empresas e condomínios. Segundo a Pesquisa Panorama 2025 e Perspectiva 2026, da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), o setor faturou mais de R$ 16 bilhões em 2025, alta de 16,2%, e a projeção é de crescimento de 18,8% em 2026, o que levaria o mercado a ultrapassar os R$ 19 bilhões. Nesse cenário, a AGL Brasil, fabricante de Divinópolis (MG) fundada em 1984, investe na integração de seus equipamentos a plataformas digitais e a sistemas de controle de acesso mais tecnológicos. A empresa informa que as vendas cresceram 17,3% no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. A companhia começou com fechaduras e hoje atua também em interfones, automatizadores de portões, cancelas, fechaduras digitais, câmeras, controle de acesso e automação residencial. Segundo a empresa, o parque industrial tem mais de 40 mil metros quadrados, e a operação reúne mais de 450 colaboradores e presença em mais de dez países. A fábrica produz cerca de 2.800 motores de portão por dia e tem capacidade para até 1 milhão de unidades por ano. Em vez de abandonar as linhas tradicionais, a AGL passou a incorporar conectividade aos produtos. Pelo aplicativo, o usuário pode acionar o motor da garagem, liberar uma cancela e administrar o controle de acesso, funções que antes dependiam de sistemas separados. "O mercado já tem muito equipamento inteligente. O que falta é fazer com que eles conversem entre si, e é nisso que estamos concentrando o desenvolvimento", afirma Ana Cecília Nogueira da Silva, Diretora (CMO) da AGL Brasil. A interoperabilidade ganha peso com a modernização de condomínios residenciais e corporativos, que buscam reunir segurança, comunicação e conveniência numa mesma plataforma. IA no reconhecimento facial e no suporte A empresa usa inteligência artificial para melhorar a precisão do reconhecimento facial nos equipamentos de controle de acesso. Internamente, a tecnologia é aplicada no atendimento e no suporte técnico aos instaladores. Como sistemas biométricos lidam com dados pessoais sensíveis, protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a segurança da informação é parte central da oferta. A AGL diz usar criptografia e outros mecanismos para proteger as plataformas e os dispositivos conectados. "Segurança digital faz parte da proteção. O consumidor quer uma experiência simples, e a nossa tarefa é entregar isso sem abrir mão de proteger as informações", diz Ana Cecília. A empresa também aposta na rede de distribuidores e instaladores, que liga a fábrica ao consumidor final. Produtos de instalação simplificada, segundo a AGL, reduzem o tempo de trabalho dos profissionais. "O instalador é quem leva a nossa marca para dentro da casa e do condomínio. Se o produto é fácil de instalar e o suporte responde rápido, o projeto fica mais eficiente para todo mundo", afirma a executiva. Fora do país, a AGL busca ampliar sua atuação na América Latina, regiões com desafios semelhantes de infraestrutura e segurança. A empresa argumenta que desenvolver tecnologia no Brasil ajuda a atender as particularidades da rede elétrica e do clima locais. Para a AGL, a substituição de equipamentos isolados por sistemas integrados em condomínios residenciais e corporativos é uma das maiores oportunidades dos próximos anos. Um dos desafios, segundo a empresa, é desfazer a percepção de que automação residencial exige conhecimento técnico ou investimento elevado. "Queremos que a automação seja acessível, com aplicativos intuitivos que qualquer pessoa consiga usar", diz Ana Cecília. A empresa pretende fortalecer as linhas físicas e ampliar os recursos digitais ligados a elas.
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