O JPMorgan, em relatório assinado por Rajiv Batra, Emy Cherman e Anindita Gandhi, informou que os mercados não estão precificando adequadamente os efeitos de um possível super El Niño, fenômeno que pode ser o mais intenso desde o início das medições e afetar inflação, crescimento econômico e desempenho de empresas em mercados emergentes ao longo de 2027. As temperaturas da superfície do oceano já superaram anomalias de 3 °C em algumas regiões e podem chegar a 3,8 °C entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, segundo projeções da World Meteorological Organization (WMO). O banco destaca que os impactos indiretos do fenômeno são subestimados, sobretudo na inflação de alimentos, na demanda rural e nos lucros corporativos. Países emergentes, especialmente Brasil, Índia, Indonésia, Colômbia e outras economias do Sudeste Asiático, seriam os mais afetados, com agricultura e alimentos pesando na atividade econômica e nos índices de preços. No Brasil, o JPMorgan estima que o pico do impacto inflacionário pode chegar a cerca de 1 ponto percentual no IPCA aproximadamente um ano após o início do fenômeno, com dois terços desse efeito por meio dos preços dos alimentos e outra parcela por tarifas administradas, especialmente energia elétrica. O banco também menciona que o incentivo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores de diesel seria renovado. Os analistas lembram que o episódio de 2015‑2016 provocou queda de cerca de 5 % na produção agrícola, alta superior a 20 % nos preços dos alimentos ao longo de dois anos e aumento dos custos de energia; o evento de 2023‑2024 contribuiu para uma alta de 8 % nos preços dos alimentos e para uma queda de 3,7 % da safra agrícola brasileira. O agronegócio brasileiro pode enfrentar atrasos no plantio, redução de produtividade, aumento de custos e dificuldades logísticas, enquanto o setor elétrico pode ser afetado pela maior dependência de geração térmica, já que cerca de 55 % da capacidade de geração do país depende de hidrelétricas. Apesar dos riscos, o JPMorgan vê oportunidades em empresas capazes de repassar preços, ligadas à geração de energia e a algumas commodities agrícolas. Entre as companhias brasileiras que poderiam se mostrar mais resilientes ou até se beneficiar do El Niño estão São Martinho (SMTO3), Raízen (RAIZ4), Ambev (ABEV3), Auren (AURE3), Axia Energia (AXIA3) e Equatorial (EQTL3). Por outro lado, o banco vê potenciais ventos contrários para empresas expostas ao consumo de alimentos, à renda rural ou a gargalos logísticos. No Brasil, a lista de companhias que poderiam sofrer mais com os efeitos do fenômeno inclui SLC (SLCE3), Assaí (ASAI3), Grupo Mateus (GMAT3), JBS (JBSS32), MBRF (MBRF3), Rumo (RAIL3), Banco do Brasil (BBAS3), BB Seguridade (BBSE3), Suzano (SUZB3), Klabin (KLBN11), Vale (VALE3) e Engie Brasil (EGIE3).
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