O governo do presidente da Argentina, Javier Milei, classificou cinco grupos criminosos e guerrilhas da América Latina como organizações terroristas, em uma medida alinhada à política de segurança dos Estados Unidos para a região. A decisão, publicada nesta quinta-feira (22) no Diário Oficial argentino, inclui organizações do México, Equador e Colômbia. No mês passado, a Argentina e outros países latino-americanos que integram o Escudo das Américas, grupo de cooperação liderado por Washington para assuntos de segurança e combate ao narcotráfico, já passaram a classificar as organizações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, em sintonia com Trump. Entre os novos grupos incluídos na lista argentina estão o Cartel de Sinaloa e a Nova Família Michoacana, ambos do México, e o Los Tiguerones, do Equador. A medida também abrange o Exército de Libertação Nacional (ELN) e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo (FARC-EP), dissidências da antiga guerrilha colombiana que não aderiram ao acordo de paz firmado pelo governo local há uma década. As organizações em questão já haviam sido classificadas como terroristas por Washington anteriormente. Em setembro, o governo Trump chegou a ampliar para 21 o número de grupos criminosos latino-americanos designados como organizações terroristas estrangeiras. Em comunicado divulgado na noite de quarta-feira (21), o Gabinete da Presidência argentina justificou a medida afirmando que as cinco organizações mantêm vínculos com o narcotráfico e o crime organizado. A decisão, além disso, ocorre em meio ao aprofundamento da cooperação entre Buenos Aires e Washington no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. Duas semanas antes, o governo Milei havia anunciado a criação, pelos EUA, de uma unidade regional do Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) no país. Nesse caso, o governo do presidente republicano aprovou um fundo de US$ 13,35 milhões para fortalecer o combate ao narcotráfico e ao crime organizado no território argentino. O governo Milei já havia incluído no Registro Público de Pessoas e Entidades Vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento organizações como o Cartel dos Sóis, originário da Venezuela, o Cartel Jalisco Nova Geração, do México, e três ramos da Irmandade Muçulmana. A estratégia de ampliar a classificação de organizações criminosas como terroristas também vem sendo adotada por outros países da América Latina com governos de direita, como o Equador de Daniel Noboa.
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