Selic baixa popularizou FIIs, mas ensinou lição errada, diz especialista

A matéria do InfoMoney destaca a visão de João da Rocha Lima, sócio-diretor do Grupo Unitas e da BR-Capital, que critica a percepção simplista do mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) durante ciclos de Selic baixa. A queda dos juros básicos historicamente torna os ativos de renda fixa menos atrativos, redirecionando o fluxo de capital para investimentos com maior potencial de retorno, como os FIIs, que pagam rendimentos isentos de IR. Este movimento gerou uma demanda artificial por FIIs, inflando preços e spreads, e pode ter levado investidores a subestimar riscos de mercado e de gestão, afetando tickers como KNRI11, HGLG11 e MXRF11. Para o investidor brasileiro, a lição errada pode resultar em expectativas desalinhadas sobre retornos e riscos, especialmente em um cenário de Selic ainda volátil, impactando o IBOV indiretamente via setor imobiliário e financeiro. Similarmente, o mercado de REITs nos EUA em 2007-2008 viu uma bolha impulsionada por juros baixos e busca por rendimentos, resultando em quedas acentuadas de até 70% para alguns ativos durante a crise de 2008. A próxima reunião do Copom, com a decisão sobre a taxa Selic, será um gatilho crucial para reavaliar o momentum dos FIIs e o apetite por risco no mercado local. No médio prazo, o setor de FIIs deve passar por uma fase de maior seletividade, com valorização dos fundos que demonstram resiliência, boa gestão e capacidade de gerar valor além do diferencial de juros.

Análise

Nos próximos 3-6 meses, espera-se uma reavaliação mais crítica do mercado de FIIs, com foco em fundamentos e qualidade dos ativos. O próximo corte ou manutenção da Selic pelo Copom será um gatilho crucial para definir a direção do fluxo de capital. Fundos com portfólios resilientes e gestão transparente podem atrair capital institucional, enquanto os de baixa qualidade podem enfrentar desvalorização.

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