EUA desmantelam esquema de casamentos falsos para obtenção de green cards

Promotores federais apresentaram nesta quarta-feira (21) acusações contra seis pessoas por participação em um esquema de longa duração que teria organizado centenas de casamentos fraudulentos em Massachusetts para ajudar imigrantes a obter ilegalmente autorizações de residência permanente, conhecidas como green cards, e eventualmente a cidadania americana. A procuradora federal Leah Foley afirmou, durante uma entrevista coletiva em Boston, que Jennifer Gonzalez, apontada como mentora do suposto esquema, ajudou a organizar casamentos fraudulentos por mais de uma década em Massachusetts, Estado governado por democratas que a acusada descreveu como uma jurisdição "santuário", onde "você recebe muita ajuda como imigrante". O caso é o mais recente desse tipo apresentado pelo Departamento de Justiça dos EUA como parte da repressão à imigração promovida pelo presidente republicano Donald Trump. Em agosto, o departamento apresentou um dos maiores processos desse tipo ao acusar 11 pessoas em Nova York de participar de um esquema que, segundo os promotores, facilitou cerca de mil casamentos fraudulentos. Gonzalez, de 43 anos, disse a uma testemunha colaboradora que se passava por cliente que seu grupo havia ajudado a obter centenas de cartões de residência permanente, ou green cards, para estrangeiros que viviam ilegalmente em Massachusetts, cobrando de US$ 38 mil a US$ 40 mil por casamentos com cidadãos americanos, de acordo com uma denúncia criminal. As autoridades afirmaram que a operação funcionou por cerca de 12 anos e realizou, em média, de 18 a 20 casamentos fraudulentos por ano, gerando mais de US$ 6 milhões em lucros. Gonzalez, cidadã americana nascida nos EUA, disse à testemunha que seu objetivo era "que você conquistasse o sonho americano", mas que seu negócio havia se tornado mais difícil depois que Trump voltou ao poder, em 2025, segundo a denúncia. Foley, nomeada pelo governo Trump para chefiar a Procuradoria Federal no Estado, classificou a operação como um esquema sofisticado que Gonzalez conduzia "com impunidade durante o governo anterior". "Minha esperança é que hoje os acusados e outras pessoas como eles percebam que o sonho americano não está à venda", disse Foley. "Ele é conquistado. E, quando vocês tentam se apropriar dele para obter lucro, nós os responsabilizaremos." Gonzalez é acusada de abrigar imigrantes que vivem ilegalmente nos EUA e de fraude matrimonial. Seu advogado não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Entre os demais acusados estão pessoas suspeitas de ajudar no esquema de Gonzalez ou de contrair casamentos fraudulentos com imigrantes. Foley afirmou que a própria Gonzalez contraiu um casamento desse tipo e recebeu benefícios de assistência alimentar do Estado de Massachusetts sem declarar nenhuma renda proveniente do esquema, cujos recursos utilizou para comprar imóveis na República Dominicana. A procuradora disse que a investigação continua e poderá resultar em novas acusações contra qualquer pessoa que tenha obtido situação migratória regular por meio do esquema.

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