No segundo painel do evento “Transição Energética – a conta da mudança: quem paga, quem ganha e quem pode ficar para trás”, realizado pelos jornais Valor e o Globo em Belém, capital do Pará, nesta quarta-feira, o pesquisador e doutorando em ciências ambientais pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), Lucas Mateus Coelho Nunes, ressaltou que a mudança da matriz energética não acontecerá de um dia para o outro e reforçou que o processo, que será longo, precisa considerar as condições de acesso da população às novas fontes. Segundo Nunes e os demais participantes do painel "Energia como política de inclusão e desenvolvimento”, que contou também com a presença de Lilian Rebellato, professora associada da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), e Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, a transição energética precisa ocorrer de forma justa e respeitando as diferentes culturas e necessidades locais. “Não adianta somente mudar uma matriz. Temos que ver quais são as necessidades de cada região e Estado. Entender o que as comunidades tradicionais estão precisando”, alertou Nunes. Se pensar em energia solar, por exemplo, precisa considerar se ela vai ser suficiente para atender as diferentes comunidades”, adicionou Nunes. “A Amazônia mesmo é muito diferente. Cada Estado tem suas próprias características e isso preciso ser levado em conta.” Lilian Rebellato, da Ufopa, destacou que o processo de transição energética, para ser bem sucedido em termos mais amplos de acesso e atendimento geral, também deve dar mais atenção aos conhecimentos tradicionais dos povos locais. Ela destacou como frutos e insumos da Amazônia como o açaí podem ajudar a diversificar a matriz energética e que as empresas e autoridades têm a ganhar ao escutar as sabedorias locais. “A Amazônia é lembrada muito pela floresta, mas precisamos contemplar quem vive dentro dela”, disse Rebellato. “Garantir acesso à energia e segurança alimentar é fundamental.” Sergio Andrade, diretor-executivo da Agenda Pública, agregou apontando a importância de instituições democráticos em bom funcionamento para que a transição energética não acentue desigualdades e injustiças no processo. “Em todas as pesquisas que fazemos, o denominador comum que encontramos é que as instituições fazem muita diferença. Não é por acaso que o Nobel de Economia de 2024 foi dado para Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson quem mostrou a importância das instituições para o desenvolvimento”, argumentou. Para Andrade, em territórios como a Amazônia, é preciso desenvolver instituições que ajudem a conduzir um processo justo de transição energética. Ele citou uma iniciativa com participação da Agenda Pública chamada “Celeiro Cerrado”, que conta com o financiamento da mineradora Lundin Mining e atua em parceria com uma rede de prefeituras no Norte de Goiás. O modelo conta com uma agência de desenvolvimento que articula prioridades entre governos, empresas e sociedade civil, além de um escritório de projetos e um hub de ciência, tecnologia e inovação. “Sem a presença de instituições, fica difícil fazer”, concluiu Andrade. Oswaldo Forte/Valor
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real