O presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi formalmente destituído do cargo nesta sexta-feira (6), após o Senado aprovar seu impeachment em meio à crise política e financeira desencadeada pelo colapso do ueno Bank. A votação ocorreu um dia depois de Peña apresentar um pedido de renúncia, rejeitado pelo Congresso Nacional. O Senado aprovou o afastamento por 44 votos favoráveis e uma abstenção. Na Câmara dos Deputados, a abertura do processo havia recebido os votos dos 78 parlamentares em exercício. Com a decisão, Peña se tornou o segundo presidente paraguaio destituído por julgamento político desde o fim da ditadura de Alfredo Stroessner, em 1989. Agora, o Congresso realizará uma sessão conjunta para o juramento e a posse do vice-presidente, Pedro Alliana, que deverá assumir a Presidência. A destituição de Peña foi acompanhada por manifestações de comemoração nas ruas do país. A distinção jurídica entre a renúncia e uma eventual destituição por impeachment determina se Peña manterá a imunidade contra processos criminais. A aceitação da renúncia preservaria o direito de Peña de se tornar senador vitalício, condição que lhe garantiria proteções legais capazes de dificultar uma eventual ação penal. A crise começou após o Banco Central do Paraguai intervir no ueno Bank, instituição digital da qual Peña foi acionista até março de 2025. O banco teve suas operações suspensas após apresentar problemas nos índices de solvência, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas. As acusações contra Peña envolvem supostos conflitos de interesse, interferência na fiscalização do banco, uso irregular de recursos previdenciários e encobrimento institucional. O ex-presidente foi acionista da holding controladora do ueno Bank até março de 2025. A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central paraguaio e à abertura de investigações criminais contra executivos da instituição.
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