Como as Midterms podem influenciar a relação entre Brasil e EUA

O governo Lula (PT) optou por não reagir à viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, aguardando o resultado das eleições legislativas americanas de terça-feira (3) para calibrar a relação com Washington. O Palácio do Planalto avalia que a votação pode alterar a correlação de forças políticas nos EUA e influenciar as relações bilaterais. Lula pretende deixar as questões envolvendo Flávio sob responsabilidade da Justiça brasileira e evitar uma escalada de tensões com o presidente Donald Trump e com o presidente da Argentina, Javier Milei. Flávio cruzou na terça-feira (27) a fronteira com a Argentina usando um passaporte italiano, depois seguiu para os EUA, enquanto a Polícia Federal apura as circunstâncias da saída. Na quinta-feira (29), Trump afirmou querer conversar com Lula, mas criticou o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Não há telefonema agendado nem solicitação formal de contato por parte do presidente brasileiro. O episódio pode retardar a análise do agrément de Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Enquanto isso, o chanceler Mauro Vieira participa das reuniões de ministros das Relações Exteriores do G20 em Atlanta (30 e 31). Os chefes de Estado do grupo têm encontro marcado para 14 e 15 de dezembro em Miami. Desde 22 de julho, produtos brasileiros são alvo de uma tarifa de 25% imposta pelos EUA com base na Seção 301, com exceções para café, carne bovina e suco de laranja. Para 85,3% do volume atingido, a nova taxa se soma a outra tarifa de 25% já existente, elevando a carga total para 37,5%. Os dois governos criaram um grupo de trabalho para tratar do tema, e o Brasil aguarda uma proposta americana nas próximas semanas. Mesmo que os democratas avancem no Congresso, a avaliação em Brasília é que haverá pouca margem para reverter as tarifas no curto prazo. Em outubro de 2025, cinco senadores republicanos se juntaram aos democratas em uma resolução para revogar tarifas impostas ao Brasil, mas a medida foi baseada na Lei de Emergência Econômica, posteriormente derrubada pela Suprema Corte dos EUA. Resultados da Amazon, Alphabet e Intel reforçam dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial e pressionam a Nasdaq.

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