Binance sofre roubo de US$ 6,3 bi; entenda o maior ataque hacker da história das criptomoedas A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, foi vítima de um ataque hacker que desviou cerca de US$ 6,3 bilhões (aproximadamente R$ 34 bilhões) de seus sistemas. O episódio é considerado como o maior crime já registrado no setor. A invasão ocorreu na quinta-feira (29). De acordo com registros das transações analisados por especialistas, a maior parte dos recursos da Binance saiu em cerca de 20 minutos, por volta das 17h, no horário de Brasília. Em resposta, a empresa suspendeu temporariamente os saques e afirmou que os clientes não terão prejuízo. As perdas serão cobertas com recursos do Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU, na sigla em inglês) e com fundos corporativos. A companhia, porém, não informou quanto dos ativos atingidos pertencia aos clientes. E se parte do seu salário viesse das empresas em que você investe? Esse é o caminho que o curso Viva de Dividendos ensina. Normalmente custa R$347, mas até 30/10 o acesso é gratuito. Clique e garanta sua vaga. Os depósitos funcionam normalmente, de acordo com a corretora. Já a volta dos saques depende da conclusão de uma reformulação no sistema de segurança usado nessas operações. Em comunicado publicado no X, a empresa disse esperar retomar o serviço em até 48 horas. O caso também repercutiu no mercado. Nesta sexta-feira (30), as principais criptomoedas recuaram, e o Bitcoin registrou queda de quase 4%. O que é a Binance? Fundada em Xangai, na China, em 2017, a Binance é usada para comprar, vender e guardar ativos digitais. Segundo seu relatório anual de 2025, a plataforma reúne 335 milhões de usuários cadastrados e mantinha sob sua custódia cerca de US$ 162,8 bilhões (R$ 879 bilhões) em criptomoedas. A corretora está colaborando com autoridades de vários países, entre elas o FBI e o Serviço Secreto dos Estados Unidos, conforme informações da agência Reuters. Como os hackers invadiram a Binance As investigações ainda estão em andamento. A partir dessa máquina, o invasor teria chegado a um contêiner de serviços da empresa, o que permitiu executar saques sem autorização. Segundo a TRM Labs, empresa americana especializada em rastrear criptomoedas, os criminosos conseguiram comprometer justamente o sistema responsável por aprovar as transferências. A corretora disse não ter encontrado indícios de vazamento das chaves privadas de suas carteiras. Ainda assim, afirmou que o incidente teve origem em “múltiplos fatores” e que identificou outras falhas de segurança que também podem ter sido exploradas. Um relatório mais detalhado deve ser publicado quando a causa raiz for confirmada. Sobre a autoria, a TRM Labs e a Chainalysis, também americana, apontam que o ataque guarda semelhanças com ações anteriores de hackers ligados à Coreia do Norte. Uma das comparações é com a invasão à corretora Bybit, em 2025, que o FBI atribuiu a criminosos norte-coreanos. Para a TRM Labs, o mesmo grupo pode estar envolvido no caso atual. Entenda o que acontece com o dinheiro roubado Do total desviado, cerca de US$ 3 bilhões (R$ 16,2 bilhões) já foram localizados, e parte desse montante foi bloqueada com o apoio de outras empresas do setor. A situação dos US$ 3,3 bilhões (R$ 17,8 bilhões) restantes ainda não foi totalmente esclarecida. Os bloqueios só foram possíveis porque uma fatia dos valores estava em stablecoins, criptomoedas criadas para ter preço estável, em geral pareado ao dólar. Diferentemente do Bitcoin, alguns desses ativos podem ser travados pelas próprias empresas emissoras, o que impede sua movimentação mesmo depois do roubo. A Tether congelou quase US$ 1,57 bilhão (R$ 8,5 bilhões). A Circle bloqueou mais de US$ 800 milhões (R$ 4,3 bilhões), e a Ripple travou aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,1 bilhão). Segundo a Reuters, a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada ao presidente americano Donald Trump e à família dele, também participou das ações. O congelamento, no entanto, não significa que o dinheiro voltou para a corretora. A medida apenas impede que os criminosos utilizem os ativos. O cenário é mais difícil para Bitcoin e Ether, que não têm uma empresa central capaz de barrar transferências. De acordo com a TRM Labs, cerca de US$ 2,4 bilhões (R$ 13 bilhões) nessas duas moedas podem estar fora do alcance imediato dos bloqueios. Esses recursos só poderiam ser retidos em situações específicas, como uma tentativa de envio para uma corretora disposta a interromper a operação.
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