Foto: Guilherme Soares/Canal Rural BA A agricultura regenerativa está nas discussões sobre produtividade, clima, financiamento, cadeias de fornecimento e futuro da agricultura. “Ela ganhou um espaço que dificilmente perderá”, diz a CEO da Vitalforce, Sheilla Albuquerque. Segundo ela, o desafio agora é mostrar, na prática, o que está sendo regenerado e quais resultados essa mudança produz dentro da fazenda. “Tenho acompanhado de perto essa discussão e acredito que um dos desafios seja definir com clareza o que, de fato, caracteriza uma agricultura regenerativa.” A executiva salienta que práticas como plantio direto, rotação de culturas, cobertura do solo, integração de sistemas, aplicação de bioinsumos e conservação da água podem contribuir para esse processo, mas a adoção destas ferramentas, por si só, não comprova que uma área esteja se regenerando. “A pergunta que precisamos fazer é mais objetiva: o sistema está melhor do que estava há alguns anos? Responder exige medir e, na agricultura, isso começa pelo diagnóstico”, pontua. Sheilla diz que antes de discutir qual tecnologia adotar, é preciso entender qual problema se está tentando resolver. “Parece básico, mas um bom diagnóstico muda a qualidade da decisão e permite direcionar melhor o manejo e os investimentos”, diz. “Quando começamos pela tecnologia e só depois procuramos o problema que ela poderia resolver, corremos o risco de investir sem atacar a principal limitação da área.” De acordo com a executiva, a agricultura regenerativa não é um conjunto fechado de práticas, mas uma estratégia de evolução do sistema produtivo a partir das necessidades de cada área. “E o solo deixa isso muito claro. Uma análise química pode indicar bons níveis de fertilidade e, ainda assim, haver compactação, baixa infiltração de água ou restrições ao desenvolvimento das raízes”, exemplifica. De mesma forma, Sheilla salienta que uma área com boa cobertura vegetal pode apresentar desequilíbrios nutricionais ou baixa atividade biológica. “Se olharmos apenas para um indicador, podemos ter uma leitura incompleta do que está acontecendo naquela área.” Influência do clima A capacidade analítica do solo é ainda mais importante diante da irregularidade climática. Conforme a especialista, em períodos prolongados sem chuva, por exemplo, a diferença entre dois solos pode aparecer de maneira muito clara. Isso porque estrutura, profundidade das raízes, cobertura e capacidade de armazenar água interferem diretamente na forma como a planta atravessa o estresse. “Não conseguimos controlar o clima, mas podemos atuar sobre algumas das condições que determinam como o sistema produtivo responderá a períodos de seca, calor excessivo ou chuvas intensas. E, principalmente, podemos medir se as decisões tomadas estão tornando aquela lavoura menos vulnerável ao longo do tempo.” Sheilla ressalta que é nesse acompanhamento que a agricultura regenerativa ganha consistência, uma vez que não basta registrar quais práticas foram adotadas. “Precisamos entender o que mudou no solo, na eficiência do uso de recursos, na resposta das plantas e na estabilidade da produção”, completa. A especialista acredita que a agricultura regenerativa somente amadurecerá quando o agro conseguir tratá-la menos como uma classificação da propriedade e mais como uma trajetória que pode ser acompanhada. “No fim, regenerar uma área precisa fazer sentido também para quem assume o risco de produzir nela”, finaliza. O post Agricultura regenerativa precisa sair do discurso e entrar nos indicadores, diz especialista apareceu primeiro em Canal Rural.
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