A Rússia, por meio de decreto do presidente Vladimir Putin, assumiu o controle dos ativos da gigante suíça de alimentos Nestlé e da varejista francesa Auchan, alegando retaliação por ações hostis de países europeus. Esta é a mais significativa ação contra empresas ocidentais desde as apreensões dos ativos da Danone e da Carlsberg em 2023, estabelecendo um precedente preocupante. O mecanismo econômico por trás destas medidas é o aumento do risco de expropriação, forçando empresas ocidentais a reavaliar a viabilidade e segurança de suas operações na Rússia, o que pode levar a novas saídas e perdas financeiras. Consequentemente, ações como NESN.SW e BN.PA (Danone) enfrentam desvalorização direta ou por associação, enquanto empresas europeias com exposição ao mercado russo como SIE.DE e VOW3.DE são impactadas negativamente. Para o investidor brasileiro, o impacto é indireto, refletindo-se em um ambiente global de maior aversão ao risco e potencial volatilidade no câmbio (USDBRL) e no Ibovespa (BOVA11) caso as tensões escalem. Um paralelo histórico direto é a apreensão dos ativos da Danone e Carlsberg em 2023, que resultou em perdas significativas e forçou ambas as empresas a contabilizar grandes baixas contábeis. O próximo gatilho a monitorar são as possíveis contramedidas da União Europeia ou novas apreensões por parte da Rússia nas próximas semanas, que podem definir o horizonte de médio prazo para o investimento estrangeiro no país.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que empresas europeias com operações remanescentes na Rússia, ou que já foram alvo de ações similares, enfrentem pressão de venda e uma reavaliação de seus valuations. Um gatilho de aceleração para o cenário bearish seria um anúncio de novas sanções pela União Europeia ou a notícia de mais apreensões de ativos por parte do Kremlin, o que poderia levar a uma queda adicional de 3-5% no EWG em uma semana.
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