O último pregão de agosto marca uma agenda com a expectativa de 175 Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) anunciando dividendos, com base em seus calendários de divulgações do mês anterior. Contudo, essa expectativa rotineira não garante a sustentabilidade ou o aumento dos proventos, e o mercado tende a negligenciar os riscos macroeconômicos. A elevação dos juros de longo prazo nos EUA (US 10Y a 4.72%) e a valorização do dólar (DXY em 99.53) aumentam o custo de capital globalmente, pressionando a avaliação dos ativos imobiliários. Consequentemente, FIIs de tijolo como HGLG11 e VISC11 podem sofrer com vacância e menor consumo, enquanto FIIs de papel como KNCR11 e MXRF11, embora com rendimentos nominais atraentes, enfrentam o risco de desvalorização das cotas. Para o investidor brasileiro, a busca por altos dividend yields sem análise aprofundada pode resultar em erosão do capital. Historicamente, em períodos de juros elevados, como 2015-2016, os FIIs enfrentaram estagnação ou queda no valor das cotas, apesar dos pagamentos de dividendos. As próximas decisões de juros do FOMC e COPOM serão gatilhos cruciais, e o horizonte aponta para uma pressão contínua sobre os FIIs em um ambiente de Selic e juros globais mais altos por mais tempo.
Nos próximos 3-6 meses, o mercado de FIIs deve continuar sob pressão em um cenário de juros elevados, com a valorização de cotas sendo limitada ou negativa. O gatilho para uma mudança de cenário seria uma indicação clara de cortes mais agressivos na Selic e melhora da atividade econômica, o que não é o cenário base atual.
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