Abstenção deve aumentar ou diminuir no segundo turno? Veja o que dizem os dados de 2022

Mais de 33 milhões de eleitores deixaram de ir às urnas no primeiro turno das eleições deste ano, em 4 de outubro. A abstenção chegou a 21,08% dos mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar. O número só fica atrás das eleições de 1998, quando 21,49% do eleitorado deixou de ir às urnas no primeiro turno. LEIA TAMBÉM: Qual foi a diferença de votos entre Lula e Flávio Bolsonaro no primeiro turno? Nos últimos cinco pleitos presidenciais, o único registro de redução de abstenções ocorreu em 2022. À época, a diferença de 0,36 ponto percentual de abstenção do primeiro turno (20,95%), para o segundo (20,59%), não seria capaz de mudar o resultado da eleição. Dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, historicamente, o percentual de abstenções costuma aumentar de um turno para outro, especialmente nos estados em que o governador é eleito na primeira etapa. Neste ano, apenas cinco estados e o Distrito Federal terão disputas para o cargo de governador em segundo turno. Em 2022 eram 12 estados. Para o cientista político Carlos Santiago, as eleições de 2026 podem repetir o fenômeno de 2022, com a diferença de que neste ano, o pleito está mais acirrado. Em 2022, o primeiro turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), à época candidato à reeleição, registrou uma diferença de mais de 6,1 milhões de votos do primeiro para o segundo colocado, enquanto no pleito deste ano, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL) é de apenas 2,2 milhões. “Numa eleição disputadíssima, os argumentos para que o eleitorado vá votar são muito fortes, tanto por parte do candidato à reeleição, quanto pelo seu opositor. E isso fortalece a democracia, porque indica mais participação dos eleitores no processo de escolha dos governantes e também porque há uma crença positiva no sistema de votação”, avalia. Compare o preço da gasolina nos governos Lula e Bolsonaro Veja os últimos dados de abstenção Perfil dos faltosos no primeiro turno de 2026 O maior percentual de abstenções nas eleições deste ano foi registrado na região Sudeste, com 22,71% de ausentes, seguida da região Centro-Oeste, com 21,71%, região Sul com 20,46%, Norte com 19,43 % e Nordeste com 18,39 %. No exterior, onde as abstenções costumam ser maiores, o índice neste ano chegou a 62,49%. No recorte de gênero, as abstenções costumam ser maiores entre pessoas que se identificam com o gênero masculino (21,89%), do que gênero feminino (19,89 %). O percentual de ausência dos que responderam “Não informado” para a questão de gênero foi de 52,73%. No exterior, 63,60% do eleitorado que se identifica com o gênero masculino se ausentou do primeiro turno das eleições contra 61,67% do gênero feminino. Entre as pessoas que se identificam como pretas, a ausência foi de 24,71%, seguida de 22,60% de pessoas amarelas, 21,21% de pessoas pardas, 20,08 % de indígenas e 19,04% de pessoas brancas. Houve também a ausência de 20,85 % de pessoas que não se identificam com nenhuma cor ou raça. No exterior o percentual foi de 68,78% de pessoas que se identificam como pardas, 68,05% de pessoas pretas, 68,00% de indígenas, 67,80% de pessoas amarelas e 66,32% de pessoas brancas. Também houve ausência de 59,49% do eleitorado no exterior que não se identifica com nenhuma cor ou raça. Na faixa etária em que o voto é obrigatório, entre 18 a 69 anos, o maior percentual de abstenção no primeiro turno foi registrado na faixa dos 21 a 24 anos, com 25,47% de abstenção. Já o menor percentual de ausência ficou na faixa dos 60 aos 64 anos, com apenas 12,01% de abstenção.

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