Tombo da Bolsa infla dividend yield, e 15 ações pagam acima do CDI; veja quais

Em 6 de novembro de 2026, o InfoMoney divulgou que, após a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano pelo Copom na quarta-feira, 4 de novembro, 15 ações brasileiras apresentavam um dividend yield superior ao CDI de 13,65% ao ano. O levantamento, baseado em dados da Economatica, considerou papéis do Ibovespa, Índice de Dividendos (Idiv) e IBrX 100, calculando o DY sobre os proventos dos últimos 12 meses e a cotação. Na maioria dos casos, o alto DY decorre da desvalorização das cotações, e não de uma elevação nos proventos distribuídos, com 13 das 15 ações registrando retorno total negativo no período. Por exemplo, a Lavvi (LAVV3) teve seu DY saltar de 15,9% para 32,7% devido a uma perda de 44% em 12 meses, e na Direcional (DIRR3), o indicador subiu de 9,1% para 18,4%, enquanto na BR Partners (BRBI11) foi de 7,3% para 13,8%. O setor de incorporadoras, sensível ao custo do crédito imobiliário, responde por seis dos papéis com alto DY: Lavvi (LAVV3), Moura Dubeux (MDNE3), Even (EVEN3), Direcional (DIRR3), Cury (CURY3) e Cyrela (CYRE3), todas com retorno negativo em 12 meses, chegando a 48% na Even. Estrategistas do Bradesco BBI indicam que comprar ações a 7 ou 8 vezes lucro não garantiu retornos acima da média historicamente, e o Itaú BBA tem sido seletivo no setor, trocando Direcional por Cury em sua carteira. Apenas Log Commercial Properties (LOGG3) e Allos (ALOS3) apresentaram retorno positivo em 12 meses, com 12,5% e 11,1% respectivamente. A Grendene (GRND3) lidera o ranking com um DY de 40,6%, mas este valor é influenciado por dividendos extraordinários e não é considerado sustentável.

Análise

O desfecho da situação dessas 15 ações dependerá principalmente da trajetória futura da taxa Selic e da capacidade das empresas de manterem seus níveis de lucro e políticas de dividendos. As estimativas de estrategistas do Bradesco BBI apontam para possíveis revisões negativas de lucro para 74 das 106 empresas sob cobertura, caso a Selic se confirme. A sustentabilidade dos proventos e a capacidade de adaptação dos setores sensíveis a juros, como o imobiliário, serão cruciais para a reavaliação dos ativos.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real