Guerra contra o Irã já custou US$ 47,1 bilhões aos EUA, diz Pentágono

A guerra dos Estados Unidos contra o Irã já custou US$ 47,1 bilhões (cerca de R$ 250 bilhões) aos contribuintes americanos, de acordo com uma nova estimativa do Pentágono enviada ao Congresso e obtida pela Associated Press (AP). O valor representa um aumento de US$ 3,5 bilhões em relação ao início de setembro e amplia a pressão sobre o presidente Donald Trump e o Partido Republicano às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Leia também: Trump ainda está longe da meta de entregar país sem guerra e sem inflação Irã vê apenas ‘ideias inaceitáveis’ na mais recente mediação para encerrar guerra O montante, calculado pelo Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas operações militares no Oriente Médio, estima os gastos até 16 de outubro. O conflito, iniciado no fim de fevereiro por ataques dos EUA e de Israel, completa oito meses nesta quarta-feira (28), sem uma perspectiva clara de encerramento. O aumento dos gastos militares e os efeitos da guerra sobre os preços da energia se tornaram temas centrais da campanha eleitoral americana. Na próxima terça-feira, os eleitores decidirão qual partido controlará a Câmara dos Deputados e o Senado durante os dois últimos anos do mandato de Trump. Pesquisa recente da AP-NORC mostrou que a maioria dos americanos deseja que o Congresso priorize o fim do conflito. Apesar da pressão interna e da impopularidade, Trump mantém aberta a possibilidade de retomar os ataques contra o Irã após as eleições. O chefe da Casa Branca, que inicialmente prometeu uma campanha militar de poucas semanas, está enviando um terceiro porta-aviões e milhares de militares adicionais ao Oriente Médio. Ele também tem alternado declarações sobre a possibilidade de negociar um acordo com Teerã ou de intensificar a ofensiva militar americana. A maior parcela dos custos da guerra foi gasta com reposição de munições, que já consumiu aproximadamente US$ 29 bilhões. Entre os equipamentos mais utilizados estão os interceptadores de mísseis dos sistemas de defesa Patriot e THAAD, empregados para neutralizar ataques iranianos. Outros US$ 11,9 bilhões correspondem a despesas operacionais, e cerca de US$ 6 bilhões estão relacionados à perda de equipamentos militares. Os gastos da Força Aérea chegaram a US$ 7,6 bilhões, e os do Exército ultrapassaram US$ 2 bilhões. Já os custos atribuídos à Marinha foram estimados em US$ 1,45 bilhão, abaixo dos US$ 2,2 bilhões registrados no início de setembro. O Pentágono não explicou imediatamente a redução. O balanço, no entanto, não inclui os danos provocados por ataques iranianos contra bases americanas no Oriente Médio. Um relatório da Inspetoria-Geral do Pentágono divulgado em setembro informou que centenas de edifícios e outras estruturas militares foram danificados ou destruídos em instalações dos EUA no Kuwait, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia. O custo humano também sofreu aumento. De acordo com o Pentágono, 21 militares americanos morreram e 865 ficaram feridos desde o início do conflito. Do total de mortes, 18 ocorreram em ataques iranianos, acidentes com aeronaves de combate ou operações de desativação de drones. Os demais casos incluem emergências médicas e outras circunstâncias sem ligação direta com os combates. A escalada dos gastos ocorre em um momento no qual o governo Trump tenta obter a aprovação de uma proposta de orçamento militar de US$ 1,5 trilhão, além de um pacote adicional de US$ 95 bilhões destinado a financiar a guerra contra o Irã e outras prioridades. As propostas enfrentam resistência dos democratas, que também tentaram, sem sucesso, aprovar medidas para encerrar o conflito no Congresso, controlado, até agora, pelos republicanos.

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