Economistas do Morgan Stanley alertam para os efeitos do El Niño na economia brasileira, com especial destaque para a inflação. O cenário-base do banco, que prevê intensidade moderada do fenômeno, já indica impactos significativos no IPCA. No entanto, um El Niño mais forte pode tornar insustentável a estratégia do Banco Central de 'olhar através' dos choques de oferta. Tal cenário implicaria em menos espaço para o BC ignorar o fenômeno, potencialmente forçando uma postura monetária mais restritiva. Isso impactaria negativamente setores sensíveis a juros, como varejo e construção, enquanto favoreceria bancos e, possivelmente, algumas commodities agrícolas. A incerteza quanto à intensidade do El Niño e a reação do BC são os principais gatilhos a monitorar. Historicamente, eventos climáticos extremos no Brasil têm precedido ciclos de aperto monetário e desaceleração econômica. O horizonte de médio prazo aponta para maior volatilidade e a necessidade de reavaliação das curvas de juros.
Nas próximas 4-8 semanas, o mercado monitorará de perto os dados de inflação (IPCA) e as comunicações do Banco Central, especialmente após as próximas reuniões do Copom. Se o El Niño mostrar sinais de intensificação, a curva de juros pode abrir ainda mais, precificando Selic acima de 11.50% até o final de 2026. A ação mais dura do BC, se confirmada, tenderia a fortalecer o Real e pressionar o USDBRL para baixo, potencialmente testando R$5.00-5.05, mas a incerteza inflacionária pode limitar esse movimento.
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