Varejo amarga queda em vendas no primeiro turno de eleições de 2026

As eleições derrubaram o ritmo de negócios do varejo no primeiro turno deste ano. Na prática, o pleito provocou desaceleração de consumo, de maneira geral. Por outro lado, fortaleceu vendas em setores específicos do comércio, como combustíveis e alimentação, influenciadas por deslocamento dos votantes, em período eleitoral. As conclusões constam do estudo “Eleição: Como os dias de votação afetam o comportamento no consumo do brasileiro”. O levantamento, divulgado ao Valor, foi elaborado por Elo Performance & Insights, unidade de consultoria e inteligência de dados da bandeira brasileira de cartões de pagamento Elo. No estudo, as vendas do varejo mapeadas pela Elo caíram 14,9% no dia do primeiro turno este ano, em comparação com um “domingo normal”. Nas eleições de 2022, o recuo foi semelhante, de 15,9%. Para chegar ao dado, os pesquisadores levaram em conta transações realizadas durante primeiro turno das eleições gerais de 2022 e de 2026, ocorridos em 2 de outubro de 2022 e em 4 de outubro de 2026 respectivamente. Na pesquisa, a consultoria não revela número absoluto de transações feitas, apenas as variações. Os resultados observados nessas duas datas foram comparados a “dia padrão”, construído a partir da média de quatro datas comparáveis, selecionadas com base no mesmo dia da semana e em semanas próximas dentro do mesmo período, informou a consultoria. Essa abordagem, dizem os pesquisadores, permite avaliar se os indicadores de consumo ficaram acima ou abaixo do patamar normalmente esperado para dias com características semelhantes, minimizando distorções decorrentes de efeitos de calendário, sazonalidade de curto prazo e padrões habituais de consumo. Dessa forma, torna-se possível identificar com maior precisão eventuais desvios de comportamento associados ao período eleitoral, pontuam os pequisadores. Os estudiosos da Elo mapearam, ainda, maior recuo de transações no comércio on-line, ante o comércio presencial, em dia de primeiro turno, ante domingo sem pleito. Este ano as vendas pela internet caíram 18,2% no domingo do primeiro turno ante o domingo “padrão”. Em 2022, o recuo foi mais intenso, de 21,4%, na mesma comparação, entre o dia do pleito e o domingo “normal”. Por outro lado, em compras presenciais a queda foi de 14,4% em 2026 e de 15,3% em 2022. Um aspecto revelador da pesquisa é o fato de que, por segmentos, alguns saíram ganhando, em vendas, por conta do pleito. É o caso de combustíveis, com alta de 2,9% em número de transações em dia de primeiro turno ante um domingo sem eleições. O aumento ocorreu principalmente no período da tarde, entre 13h e 17h, informaram ainda os pesquisadores. “Em alguns setores, o dia da eleição pode ter uma dinâmica de consumo diferente de um domingo típico”, comentou João Vitor Ferreira, gerente-executivo de relação com investidores & Data Analytics da Elo. Ele ponderou que os dados do levantamento evidenciam a importância de considerar o calendário eleitoral em análises de consumo, especialmente para setores mais sensíveis às mudanças de mobilidade e comportamento da população. “Considerar o calendário eleitoral ajuda esses setores a se planejarem melhor para esse dia, adequando suas estratégias comerciais e operacionais ao comportamento esperado dos consumidores”, completou. Outro aspecto mapeado pelos técnicos é o fato de que o comércio, nas capitais, foi mais resiliente ao recuo de consumo em dia de primeiro turno de eleições, ante localidades do interior, pelo menos nos pleitos de 2022 e de 2026. “Como a análise contempla apenas dois períodos eleitorais, ainda não há evidências suficientes para identificar um padrão ou formular hipóteses robustas que expliquem esse aspecto”, disse.

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