Governança de IA exige diretoria para evitar custos e dependência de fornecedores

A pesquisa TIC Empresas 2025, do Cetic.br, revela que 17% das empresas brasileiras com dez ou mais pessoas ocupadas utilizaram alguma tecnologia de inteligência artificial em 2025, um aumento em relação aos 13% do ano anterior. Entre as grandes empresas, a proporção de uso de IA atinge 50%. A maioria dessas companhias, 80%, adquiriu softwares ou sistemas prontos, e 54% recorreram a soluções desenvolvidas ou modificadas por fornecedores externos, enquanto apenas 26% usam soluções próprias. Essa forte dependência de tecnologia de terceiros desloca o centro da governança de IA, transformando-a de uma tarefa operacional em uma questão de contrato, risco e continuidade do negócio. Contudo, a supervisão ainda não está majoritariamente com o principal executivo; um relatório da McKinsey de março de 2025, com 1.491 participantes em 101 países, indicou que apenas 28% dos CEOs respondem pela governança da tecnologia. Guilherme Friol, CEO da Friol Enterprise, mencionou o caso de uma empresa de peças automotivas que viu o custo de sua plataforma de IA quadruplicar em dois anos, forçando-a a reconstruir o sistema do zero para evitar a dependência do fornecedor. O cenário regulatório também aponta para a necessidade de maior governança. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) já permite a revisão de decisões automatizadas. Na União Europeia, a revisão do AI Act, publicada em julho de 2026, estabeleceu 2 de dezembro de 2027 e 2 de agosto de 2028 como datas de aplicação das regras para sistemas de IA de alto risco, podendo afetar empresas brasileiras. Adicionalmente, a Gartner projeta que mais de 40% dos projetos de IA agêntica serão cancelados até o fim de 2027 devido a custos crescentes, valor de negócio pouco claro ou controles de risco inadequados.

Análise

A tramitação do PL 2338/2023 na Câmara dos Deputados no Brasil trará maior clareza regulatória. A aplicação das regras do AI Act da União Europeia para sistemas de alto risco, a partir de 2 de dezembro de 2027, e a taxa de cancelamento de projetos de IA agêntica, conforme projetado pela Gartner até o fim de 2027, serão fatores críticos para definir o cenário.

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