Vista na campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como um dos momentos positivos do presidente no debate da Band, realizado no domingo (18), a cobrança sobre Flávio Bolsonaro (PL) para que ambos abram o sigilos telefônico e bancário virou uma estratégia central do candidato à reeleição na reta final antes do segundo turno. A intenção é criar um constrangimento ao rival, que num primeiro momento reagiu à proposta com ironia. Eleição chega à reta final em aberto e 7% decidirão o vencedor, diz diretora do Datafolha Janones é internado na UTI com arritmia cardíaca após debate presidencial Ministro do TSE dá 24h para Meta comprovar tratamento igual a posts de Lula e Flávio Lula relatou a interlocutores, segundo apurou o Valor, que saiu do programa ontem, decepcionado com o nível do debate e a relutância do oponente em deixar acusações de lado e discutir propostas. No entorno do petista, a expectativa é que o formato do debate da TV Globo, marcado para sexta-feira (23), a dois dias do pleito, favoreça uma discussão mais programática. O desafio lançado por Lula no confronto na TV foi reforçado nesta segunda-feira (19). Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente repetiu que está disposto a quebrar os sigilos bancário e telefônico dele e de sua família, desde que o senador faça o mesmo. "É preciso de uma vez por todas provar quem é corrupto neste país", declarou. "Você tem uma semana para ter coragem de mostrar ao povo brasileiro se você é honesto ou não", afirmou o presidente. Lula propôs que se faça uma "avaliação patrimonial" para comparar as duas candidaturas. A campanha do PT pretende fazer cobranças diárias ao adversário, apostando que o assunto possa guiar o debate eleitoral nos próximos dias e contribuir para uma eventual virada. Flávio respondeu a Lula, durante o debate, que não tem "absolutamente nada a esconder", sem declarar se aceita o desafio. Depois, disse que algumas das ideias de Lula "chegam até a ser engraçadas" e ironizou a sugestão, falando que Lula propõe a quebra de sigilo telefônico "quando ele não tem celular". O senador afirmou ainda que suas contas "sempre estiveram abertas" e tudo o que é seu é declarado à Receita. A proposta de lançar o desafio a Flávio surgiu em conversas prévias, mas cabia a Lula a decisão de usá-la ou não. Auxiliares dizem que, apesar da perplexidade com a postura do candidato do PL, Lula conseguiu se destacar quando surpreendeu o senador com a questão. Também foram avaliados positivamente os trechos em que o candidato do PT insistiu na cobrança de respostas que o senador se recusava a dar. A influência do empresário Pablo Marçal, ex-candidato a prefeito de São Paulo pelo PRTB e um dos aliados que aconselharam Flávio antes do debate da Band, foi considerada pela equipe de Lula como uma das explicações para o comportamento do presidenciável, como as expressões faciais e corporais ao se portar constantemente atrás de Lula enquanto o petista falava, a fim de também ser enquadrado na TV.
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