Aliados demonstram irritação e consideram 'vergonhosa' saída de Flávio Bolsonaro do país

Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no PL relatam surpresa com a saída dele para os Estados Unidos e demonstram irritação com a decisão do senador, que estará ausente neste momento de reorganização do PL e da oposição com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Pessoas próximas do senador relatam que Flávio teria deixado o Brasil nesta madrugada. Fontes do governo americano já informaram que a administração Donald Trump concederá vistos para ele e a família permanecerem em solo americano. Os aliados de Flávio ouvidos pelo Valor avaliam a saída dele do país como "vergonhosa" após a derrota nas eleições para Lula. Eles, contudo, consideram "grave" a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de ordenar a entrega dos passaportes do senador à PF. Em vídeo publicado na tarde de segunda-feira (26), o ex-presidenciável disse que nunca tinha pensado em deixar o país e afirmou que iria liderar a oposição para reagir à vitória de Lula. Os parlamentares do PL, contudo, acham difícil que Flávio consiga cumprir esse papel morando nos EUA. Para eles, se Flávio conseguisse encabeçar a oposição, ele poderia ter sucesso na aprovação de instrumentos contra Moraes, como um eventual avanço do processo de impeachment contra ministros, ou a retirada de casos de matéria penal da prerrogativa de julgamento do STF. A legenda, na visão de parlamentares do PL, pode se enfraquecer diante de um cenário de protagonismo no Legislativo — em especial no Senado, Casa na qual o partido terá 29 senadores a partir de fevereiro do próximo ano. O principal temor é de que a sigla fique isolada na disputa à Presidência do Senado e não consiga eleger um nome próprio para o cargo. Um dos líderes do PL e um dos principais aliados de Flávio, o senador Rogério Marinho (RN), expressou preocupação com a possibilidade de o partido ter o registro cassado por conta de um inquérito que investiga se houve interferência estrangeira na eleição. Marinho foi o primeiro aliado do senador a falar publicamente sobre a saída do correligionário do Brasil e deixou claro que a cúpula da legenda não sabia sobre o plano. "Nós temos o fato de que hoje foi aberto um inquérito do senhor Flávio Dino, alegando que houve interferência estrangeira nas eleições. Todos nós sabemos também que um dos motivos que permitem a cassação do registro de um partido político é a utilização de recursos estrangeiros em campanha, por parte de organizações de outros países", disse o senador. Nesta terça, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou a abertura de um inquérito para apurar indícios de interferência estrangeira no pleito brasileiro. Nas últimas horas, os parlamentares próximos de Flávio consultados pelo Valor sinalizavam um distanciamento dele ao dizer que não sabiam da ida dele aos EUA e, ainda, ao destacar que discordam dessa decisão. Para eles, Flávio deveria responder à Justiça no Brasil, mesmo que pudesse ser punido com prisão, para demonstrar fidelidade àqueles cidadãos que votaram nele nas eleições e, se for o caso, desgastar a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela prisão de um opositor político dele. Senadores também veem um possível enfraquecimento da direita diante da perda da liderança do grupo político bolsonarista. Embora não tivesse um papel de articulador no Senado, Flávio cumpria importante poder simbólico como herdeiro do legado político de seu pai. Por isso, senadores de fora do bolsonarismo preveem conflitos para a definição das próximas lideranças do partido no Congresso. Esses parlamentares avaliam que a chance de o PL conseguir vencer a eleição da Mesa Diretora do Senado contra o atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), diminui diante de uma reaproximação de legendas de centro-direita do amapaense. A federação União Progressista — composta por senadores do União Brasil e do Progressistas — anunciou nesta terça-feira que apoiará a reeleição de Alcolumbre ao comando do Legislativo. Isso deixa o chefe do Congresso mais próximo dos 41 votos necessários para se eleger ao posto.

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