O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), registrou um recuo de 2,7% em outubro, atingindo 96,7 pontos, conforme divulgado pela organização na quinta-feira (29). Este foi o quarto declínio consecutivo do indicador, que alcançou seu nível mais baixo desde maio de 2021, quando estava em 94,5 pontos. A CNC atribuiu a piora à percepção do varejo sobre o ritmo atual dos negócios, impulsionada por incertezas econômicas e pela concorrência de produtos estrangeiros no mercado doméstico, às vésperas de Black Friday e Natal em novembro. Todos os três componentes do Icec caíram em outubro em relação a setembro: expectativas recuaram 1,3%, a intenção de investimentos diminuiu 2,4%, e as condições atuais apresentaram queda de 5,5%. Em comparação com outubro de 2025, as quedas foram de 1,1%, 1,8% e 4,1%, respectivamente. As condições atuais dos negócios do comércio atingiram 68,2 pontos, o menor patamar desde maio de 2021 (64,5 pontos). A pesquisa revelou que 78,2% dos entrevistados classificaram o cenário econômico como pior, a maior parcela desde maio de 2021 (80,5%). José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, expressou preocupação com a insegurança dos varejistas em um período que antecede as vendas de fim de ano. Fábio Bentes, economista-chefe da CNC, complementou que a desaceleração econômica e do comércio é impactada por importações diretas com menor carga tributária e pelo alto endividamento do consumidor.
A divulgação dos resultados de vendas do varejo no primeiro trimestre de 2027, bem como o relatório de inflação ao consumidor (IPCA) previsto para 15/02/2027, serão os principais indicadores que confirmarão se o pessimismo atual se traduzirá em queda efetiva de receitas ou se haverá recuperação antes das festas de fim de ano.
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