Goldman vê risco fiscal maior com Lula e alerta para governabilidade

Passado o choque inicial provocado pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, o foco do mercado deve se deslocar rapidamente para a política fiscal, a equipe econômica e a governabilidade, segundo avaliação do Goldman Sachs. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o banco afirma que um grau maior de prêmio fiscal deve ser incorporado aos ativos brasileiros, diante da expansão de gastos anunciada nas últimas semanas e das incertezas sobre a condução das contas públicas. Para o Goldman, a reação do mercado hoje não depende apenas do resultado eleitoral, mas principalmente dos primeiros sinais sobre a política econômica do novo governo. Leia também Ibovespa Ao Vivo: Ibovespa desaba 17% após reeleição de Lula e circuit breaker Interrupção de negociações no mercado à vista vale para renda fixa privada e opções em ações, BDR, Ibovespa, Small Caps e ETFS Ministro da Fazenda entra no radar Um dos pontos centrais será a definição do comando da política econômica. O banco destaca que a escolha do ministro da Fazenda e os primeiros anúncios do governo serão fundamentais para a percepção dos investidores. A instituição cita ciclos eleitorais anteriores, inclusive 2002, para mostrar que a reação dos ativos pode mudar de direção conforme o mercado passa a enxergar com mais clareza a estratégia econômica do presidente eleito. Orçamento de 2027 será teste para o fiscal Outro foco será o Orçamento de 2027, enviado ao Congresso no fim de agosto e que ainda precisa passar pelo processo de aprovação até o fim do ano. Segundo o Goldman, o texto terá de ser ajustado para incorporar medidas fiscais anunciadas depois de sua apresentação. O grau de consolidação das contas públicas — ou a ausência dela — deve ser acompanhado de perto pelos investidores. A leitura do banco é que a política fiscal será um dos principais fatores para definir o comportamento do real, da curva de juros e dos demais ativos locais após a eleição. Leia também Dólar pode saltar 12% e ir a R$ 5,60 após eleição, diz Goldman Banco afirma que futuros negociados na CME apontam para reação muito acima da observada após eleições presidenciais recentes no Brasil Congresso pode elevar atritos O Goldman também vê riscos adicionais na relação entre Executivo e Legislativo. Segundo o relatório, o partido de Flávio Bolsonaro emergiu da eleição como a maior força tanto na Câmara quanto no Senado. Para o banco, essa configuração pode elevar os atritos com o governo e piorar as condições de governabilidade de Lula, especialmente na aprovação de medidas econômicas e fiscais. O resultado aumenta a importância da negociação política para a execução da agenda do governo. Contestação também pesa no curto prazo O relatório menciona ainda a possibilidade de uma contestação mais prolongada do resultado eleitoral. Flávio Bolsonaro ainda não reconheceu a derrota e afirmou que pretende pedir a anulação da eleição, em questionamento relacionado à extensão do horário de votação. Segundo o Goldman, uma disputa mais longa pode prejudicar o sentimento dos investidores no curto prazo. Ainda assim, o banco considera que, para além dessa reação inicial, o comportamento dos mercados será definido principalmente pela combinação entre fiscal, equipe econômica e capacidade de articulação do governo no Congresso. The post Goldman vê risco fiscal maior com Lula e alerta para governabilidade appeared first on InfoMoney.

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