Expectativa de retorno da Toshiba à bolsa desperta interesse de investidores para além da Kioxia

A possibilidade de a Toshiba voltar a ser listada em bolsa está despertando o interesse de fundos de investimento estrangeiros. Os investidores estão focados não apenas na participação da empresa na Kioxia Holdings — negócio de memórias que foi desmembrado da Toshiba —, mas também na transformação mais ampla de seus negócios. Durante o Sohn Tokyo, um evento do setor de fundos de investimento realizado em meados de outubro, Soren Aandahl, diretor de investimentos da gestora americana Blue Orca Capital — empresa anteriormente conhecida por suas estratégias de venda a descoberto —, revelou três companhias japonesas nas quais mantém posições compradas. As empresas em questão são a Rohm, a Chubu Electric Power e a TRE Holdings, que atua no setor de gestão de resíduos. Todas elas investiram na Toshiba por meio de fundos geridos pela Japan Industrial Partners. "A operação de fechamento de capital da Toshiba, conduzida pela Japan Industrial Partners (JIP), será um sucesso estrondoso", afirmou Aandahl, referindo-se à saída da Toshiba da bolsa em 2023. Ele acredita que um eventual retorno à bolsa — amplamente esperado para ocorrer a partir de 2028 — servirá como um "catalisador significativo" para destravar valor oculto. Ao investir em companhias que apoiaram a Toshiba, sua gestora espera obter retornos rápidos. Esta não é a primeira vez que as empresas que investiram na Toshiba atraem atenção. Durante a valorização do mercado impulsionada pela inteligência artificial no primeiro semestre de 2026, as ações da Kioxia — que foi desmembrada da Toshiba e, posteriormente, listada em bolsa — dispararam. Os papéis das empresas que haviam investido na Toshiba também subiram, sob a expectativa de que se beneficiariam de ganhos não realizados decorrentes da participação da Toshiba na Kioxia. As ações da Rohm subiram 170% desde dezembro de 2024, quando a Kioxia abriu seu capital. Já as ações do grupo financeiro Orix registraram uma alta de 70%. Contudo, o interesse dos investidores estrangeiros agora está menos voltado para a Kioxia em si, e mais para a forma como a Toshiba utilizará os recursos obtidos com a venda de sua participação. Na época da abertura de capital da Kioxia, em 2024, a Toshiba detinha quase 40% da empresa, mas tem reduzido essa participação gradualmente. Segundo um relatório sobre grandes participações acionárias, a fatia da Toshiba havia caído para 11,8% em 1º de outubro. Aandahl estima que a Toshiba tenha vendido cerca de 2,2 trilhões de ienes (US$ 13,9 bilhões) em ações da Kioxia, montante que “eliminou a dívida contraída para a aquisição e provavelmente deixou a Toshiba com uma posição líquida de caixa bastante expressiva", afirmou.

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