O Irã afirmou nesta quinta-feira (22) que sete petroleiros pegaram fogo ou sofreram danos durante a madrugada no Estreito de Ormuz, após serem atingidos por ataques iranianos ou colidirem com minas navais. Os episódios ocorrem em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e aos temores de uma retomada da guerra em grande escala entre o Irã, EUA e Israel. Leia também: FT: Netanyahu planejou retomar ataques contra o Irã no início de outubro Ataque a aeroporto em cidade petrolífera da Arábia Saudita deixa dois mortos EUA decidem reduzir funcionários em Riad ante possibilidade de ataques O número de embarcações atingidas é considerado elevado. Segundo o órgão britânico de monitoramento marítimo UKMTO, outubro já registra a maior quantidade de ataques relatados contra navios comerciais desde março, nas primeiras semanas do conflito. O órgão não confirmou os episódios mais recentes, mas observou que algumas empresas de navegação estão cada vez mais relutantes em comunicar incidentes. A televisão estatal iraniana atribuiu as informações sobre os ataques à Marinha da Guarda Revolucionária (IRGC, na sigla em inglês), que voltou a ameaçar atingir bases militares americanas na região caso Washington continue ajudando navios comerciais a atravessar o estreito. Não foram divulgadas informações sobre possíveis vítimas. A Associated Press (AP) não conseguiu confirmar de forma independente os incidentes. O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural do mundo, continua sendo um instrumento de pressão de Teerã nas negociações com Washington. Embora produtores tenham encontrado alternativas para manter as exportações de petróleo, especialistas afirmam que os custos dessas operações estão aumentando. A escalada, além disso, ocorre em um momento politicamente delicado para Israel e os EUA. Os israelenses vão às urnas em 27 de outubro, em uma disputa acirrada na qual o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu corre o risco de perder o poder. Já no território americano, as eleições legislativas de 3 de novembro se aproximam em meio à insatisfação dos eleitores com a alta dos preços de combustíveis associada à guerra. Washington ainda tem reforçado sua presença militar no Oriente Médio, que já é a maior em décadas, com o envio de um terceiro porta-aviões e milhares de soldados. Uma pessoa fantasiada de presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, olha para baixo de dentro de uma cela de prisão cenográfica durante uma apresentação em Teerã Majid Asgaripour/WANA (West Asia News Agency) via REUTERS Apesar da movimentação militar, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na quarta-feira que Teerã continua aberta à diplomacia. Ele ressaltou, por outro lado, que a República Islâmica está pronta para se defender. O Irã também advertiu que aprendeu lições militares da guerra iniciada em 28 de fevereiro, com os ataques americanos e israelenses, e indicou nos últimos dias que poderia ampliar seus alvos para incluir infraestruturas como cabos submarinos e centros de dados. O risco de uma retomada da guerra aumentou com a abertura de outra frente de confrontos na região, uma vez que, nas últimas semanas, os houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita. Os rebeldes têm atingido aeroportos e outras instalações sauditas, deixando mortos e pressionando o reino, um dos principais aliados de Washington no Oriente Médio, a buscar maior apoio militar. Além de ampliar os riscos para a população civil, uma nova guerra em grande escala poderia comprometer o fornecimento mundial de petróleo, gás natural e fertilizantes, provocando outra disparada dos preços. A intensificação dos confrontos entre os houthis e a Arábia Saudita também ameaça o Estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica no extremo sul do Mar Vermelho, ampliando os riscos para o comércio marítimo internacional.
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