Hackers roubaram US$ 6,3 bilhões da Binance, a maior corretora de criptomoedas do mundo, em um ataque recorde que analistas atribuíram à Coreia do Norte e que, segundo eles, poderá abalar a confiança nos ativos digitais. Os preços das criptomoedas caíram após a notícia, enquanto a Binance suspendeu os saques e afirmou que cobrirá os prejuízos. Cerca de metade dos ativos roubados foi rapidamente congelada por emissores de stablecoins, como Tether, Circle e a World Liberty Financial, apoiada por Donald Trump. A maior parte do ataque ocorreu em aproximadamente 20 minutos, nesta quinta-feira (29), e apresentou semelhanças com ataques de grandes proporções anteriormente atribuídos à Coreia do Norte, segundo as empresas norte-americanas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis. A TRM afirmou que os invasores conseguiram ordenar que carteiras utilizadas pela Binance transferissem fundos para carteiras controladas pelos hackers, reproduzindo um método semelhante ao utilizado em um ataque ocorrido em 2025 contra a corretora de criptomoedas Bybit, que o FBI (Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) havia atribuído a Pyongyang. “A TRM atribui o ataque a uma unidade de elite de hackers da Coreia do Norte”, afirmou a empresa em uma análise do ataque publicada em seu site. Tanto a TRM quanto a Chainalysis disseram ter um alto grau de confiança de que a Coreia do Norte foi responsável pelo ataque. ‘Maior ataque hacker da história’ A Coreia do Norte utiliza há anos unidades cibernéticas vinculadas ao Estado para espionagem, roubo financeiro e geração de receitas, segundo autoridades dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, além de especialistas em segurança cibernética. A Coreia do Norte nega regularmente essas acusações. Sua missão em Genebra e sua embaixada na China não responderam imediatamente aos pedidos de comentários da Reuters. A Binance afirmou que os fundos dos usuários estavam seguros e que trabalhava com parceiros para congelar parte dos ativos afetados, tendo localizado até o momento cerca de US$ 3 bilhões. A empresa espera retomar os serviços de saque nas próximas 48 horas. A corretora não mencionou a situação dos US$ 3,3 bilhões restantes. “Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas”, afirmou o co-CEO Richard Teng na rede social X. “Nossa investigação não atribuiu a responsabilidade a nenhum indivíduo.” “É o maior ataque hacker da história”, afirmou Aravind Srinivasan, da formadora de mercado GSR, enquanto os preços das criptomoedas registravam quedas generalizadas. O Bitcoin atingiu a menor cotação em seis semanas, a US$ 76.368,00, enquanto o Ether caiu mais de 3%, para uma mínima de dois meses, de US$ 2.178,00, antes de os mercados se estabilizarem. O BNB, token originalmente lançado como Binance Coin e que pode ser utilizado para pagar taxas na plataforma da Binance, recuava 5% nas últimas 24 horas, cotado a US$ 709,70, segundo dados da CoinGecko. A perda de confiança também atingiu as ações de corretoras de criptomoedas negociadas em bolsa. As ações da Coinbase Global, corretora de criptomoedas que afirmou não ter sido afetada pelo incidente, caíram 4,8%, enquanto os papéis da Strategy, empresa compradora de bitcoin, recuaram quase 6% nas negociações estendidas nos Estados Unidos. Mark Karpeles, ex-chefe da extinta corretora japonesa de bitcoin Mt. Gox, que entrou em colapso há 12 anos após o roubo de US$ 500 milhões em bitcoins, afirmou que os invasores provavelmente conseguiram acessar as chaves privadas de pelo menos duas carteiras da Binance. “A Binance parece ter distribuído seus ativos por vários sistemas, garantindo que uma invasão pudesse afetar apenas uma parte dos recursos. Ainda assim, mesmo com essa proteção, um único ataque pode provocar uma perda expressiva”, afirmou. Além da possível perda de ativos, analistas disseram que a violação de segurança provavelmente terá repercussões mais amplas para o mercado de criptomoedas, que já vinha sofrendo pressão em razão das taxas de juros mais elevadas nos Estados Unidos e da redução da demanda por parte de investidores em fundos negociados em bolsa (ETFs). “Isso pode reduzir ainda mais o apetite por risco e levar os investidores a reavaliar a segurança dos ativos mantidos em corretoras centralizadas”, afirmou Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, sediado em Hong Kong. Valor do ataque supera o fundo de proteção de ativos da Binance A Binance, que permite aos usuários comprar, vender e negociar ativos digitais, possui 335 milhões de usuários registrados em todo o mundo e mantinha aproximadamente US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia, de acordo com seu relatório anual de 2025. A corretora mantém um fundo de proteção de ativos dos usuários, denominado Secure Asset Fund for Users (SAFU), com uma reserva de US$ 1 bilhão integralmente mantida em bitcoins, destinada a proteger os ativos dos clientes em casos de violações de segurança, segundo informações publicadas em seu site. O co-CEO Teng afirmou que o fundo, juntamente com os recursos da própria empresa, cobrirá as perdas. A emissora de stablecoins Tether informou ter congelado quase US$ 1,57 bilhão em ativos relacionados ao incidente, enquanto a Circle congelou mais de US$ 800 milhões. A World Liberty Financial afirmou que trabalhou com a custodiante BitGo para congelar os fundos. A cofundadora da Binance, Yi He, disse que US$ 27 milhões em stablecoins e aproximadamente US$ 2 milhões em tokens da World Liberty haviam sido congelados. A empresa de criptomoedas Ripple também congelou cerca de US$ 200 milhões em fundos, segundo Yi He. O incidente se soma a uma sequência de roubos de criptomoedas. No ano passado, invasores roubaram US$ 2,9 bilhões em criptomoedas em quase 150 ataques, segundo pesquisadores da TRM Labs. Em setembro, a corretora de criptomoedas Bitget informou que aproximadamente US$ 350 milhões em ativos digitais haviam sido roubados de sua plataforma, reforçando a vulnerabilidade do setor diante dos ataques de hackers.
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