Dono de avião revela pagamento de US$ 150 mil por voo de Flávio Bolsonaro aos EUA

O voo particular que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) da Argentina aos Estados Unidos custou US$ 150 mil, aproximadamente R$ 800 mil, e foi pago por um intermediário do setor de aviação com recursos transferidos de uma conta bancária norte‑americana. A informação foi revelada pelo empresário argentino Luis Grande, proprietário da companhia Baires Fly, responsável pelo transporte, em entrevista à agência France‑Press (AFP) na quinta‑feira (29). O pagamento acrescenta um novo elemento às dúvidas sobre a organização da viagem do senador, que deixou a região de fronteira entre Brasil e Argentina acompanhado da família e chegou à Flórida em 28 de outubro. A identidade de quem financiou a operação não consta do trecho recebido, enquanto reportagens da imprensa norte‑americana apontaram o nome de Jason Miller, assessor do presidente Donald Trump, como possível responsável pela contratação. O caso envolve questões sobre a origem dos recursos utilizados, a participação de intermediários estrangeiros e as circunstâncias em que Flávio deixou o território brasileiro após a derrota nas eleições presidenciais de 25 de outubro de 2026. De acordo com Luis Grande, o fretamento foi negociado por um intermediário do setor aeronáutico conhecido como broker, profissional que atua na contratação e comercialização de voos particulares. Em entrevista à AFP, o proprietário da Baires Fly afirmou que mantém relacionamento profissional com esse intermediário há aproximadamente dez anos. Segundo ele, o contratante reside nos Estados Unidos e foi responsável por solicitar a operação. O empresário também informou que recebeu US$ 150 mil, valor equivalente a cerca de R$ 800 mil, por meio de uma transferência bancária originada de uma conta empresarial nos Estados Unidos para uma instituição financeira argentina. Grande, porém, não revelou o nome do intermediário. Também afirmou que não conhece a pessoa que teria contratado os serviços desse profissional, acrescentando que o próprio broker disse não conhecer previamente o contratante final. A ausência de informações sobre quem efetivamente financiou a viagem mantém em aberto uma das principais questões do episódio: quem assumiu o custo de uma operação internacional de alto valor envolvendo um senador brasileiro? A contratação do jato também foi associada a Jason Miller, assessor político do presidente norte‑americano Donald Trump. As informações foram publicadas pelos jornais The New York Times e The Wall Street Journal, que apontaram Miller como responsável pela contratação da aeronave. A versão apresentada pelo empresário argentino, entretanto, não confirma diretamente essa participação. Grande disse que recebeu a solicitação de um intermediário e que não teve contato com o suposto contratante final. Até a publicação das informações, a Casa Branca não havia apresentado um posicionamento público sobre o assunto. Também não havia confirmação independente de que Miller tenha realizado pessoalmente o pagamento ou organizado a viagem. A distinção é relevante porque existem diferentes níveis de participação nessa operação: quem solicitou o fretamento, quem intermediou o negócio e quem efetivamente financiou o transporte. Esses papéis ainda não foram esclarecidos por completo. Folha+1. A viagem ocorreu na madrugada de quarta‑feira (28), depois que Flávio Bolsonaro atravessou a fronteira terrestre entre o Brasil e a Argentina. O embarque internacional aconteceu no aeroporto de Puerto Iguazú, cidade argentina próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o senador viajou acompanhado da esposa e das duas filhas. A aeronave partiu às 0h22, depois que os passageiros passaram pelo controle migratório argentino.

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