O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperou-se em relação ao desempenho no primeiro debate, da Band, com momentos em que foi capaz de levar seu adversário a lhe pedir desculpas, como no deboche sobre “os nove dedos” do presidente. Atravessou, porém, a rua para pisar na casca de banana da troca de acusações na calçada oposta. Foi a aposta de um candidato que precisava tomar a dianteira numa disputa, mas não acabou provocando o bloco mais agressivo do debate ao levantar a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL) no favorecimento ao advogado Willer Tomaz na disputa por ele travada com o jogador Richarlison por uma ilha em Angra dos Reis. Se eleitores indecisos que acompanharam o debate em grupos reprovaram a agressividade do senador com o presidente, tampouco gostaram do tom adquirido pelo debate na troca de acusações. A avaliação da campanha petista é a de que o presidente cometeu um erro ao provocar Flávio ao ressuscitar cadáveres em série do petismo: sítio de Atibaia, Lulinha, Roberta Luchsinger. Flávio Bolsonaro vinha, desde o início do debate, reagindo com frieza a um presidente que se mostrou mais ofensivo do que no debate da Band. Não perdeu o eixo em nenhuma das encurraladas, ainda que posicionamentos como aquele dirigido à mãe da menina Ana Clara, assassinada pelo policial que teve o senador como advogado (“a senhora tem minha solidariedade, mas acredito que os disparos não foram feitos por aquele policial”), não tenham repercutido bem em grupos de indecisos. O candidato do PL chegou a ironizar a dicção do presidente, dizendo, por mais de uma vez, que não entendia o que ele falava, o que também foi mal avaliado, mas o fato incontornável é que sua fala é mais clara e audível. O senador conseguiu encaixar frases de efeito, como a do “brasileiro que parcelava compra de geladeira agora tem que parcelar o que guarda na geladeira”, mas não conseguiu responder a uma das melhores colocações do presidente, como aquela em que mostrou que o salário mínimo estaria em R$ 900 (na verdade seria R$ 822) não fosse a política de valorização real adotada por seu governo que o situa hoje em R$ 1.621. Lula se despediu da mesma maneira com a qual chegou aos estúdios da TV Globo, chamando Flávio Bolsonaro de miliciano, mas não esqueceu de agradecer ao eleitor e de pedir seu voto, como fizera no debate da Band. Já Flávio se despediu pedindo que o eleitor rezasse um pai-nosso. Dirigiu-se aos católicos, menos pela referência à oração e mais pelo uso do verbo. Evangélicos usam orar. Nesta sexta, bispos católicos divulgaram uma carta em que pediram proteção divina ao país face a uma eleição em que um dos candidatos “ameaça frontalmente diversos pontos centrais da DSI Doutrina Social da Igreja, a existência da democracia, a soberania nacional e a prática do bem comum”. No momento em que o debate começou, a carta contava com 66 assinaturas.
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