Macron promete pacote de medidas para conter novos protestos na França

O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu nesta segunda-feira (26) que seu governo anunciaria um pacote de medidas em resposta a semanas de protestos nas ruas motivados por uma ampla série de reivindicações, ao mesmo tempo que reconheceu o risco de novos distúrbios. Leia também: Quadro econômico dá à França pouco espaço para aliviar crise social Tempestade fiscal perfeita está por trás de protestos na França Le Pen lança candidatura à presidência da França em meio a onda de protestos Seu primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, deve conceder uma entrevista coletiva após uma reunião com sindicatos de estudantes do ensino médio, que reivindicam mais recursos para o setor educacional e uma reformulação do processo de admissão nas universidades, que, segundo eles, perpetua desigualdades. “Pedi ao governo que responda às reivindicações legítimas que estão na origem deste movimento social”, disse Macron a jornalistas em Marselha, para onde viajou a fim de inspecionar os danos causados por protestos anteriores. Macron reiterou o que o ministro do Interior, Laurent Nunez, havia dito mais cedo que são esperados novos distúrbios no próximo fim de semana. Os protestos dão poucos sinais de arrefecimento depois que uma onda de violência atingiu dezenas de cidades há nove dias, alimentando temores de que o Estado tivesse perdido o controle das ruas. Em resposta à turbulência, o Ministério do Interior mobilizou 70 mil policiais para as manifestações de sábado, convocadas por sindicatos para protestar contra o alto custo de vida e a situação dos serviços públicos. O movimento se expandiu muito além do descontentamento inicial dos estudantes, atraindo sindicatos e ativistas dos “coletes amarelos”, conhecidos por seus coletes de alta visibilidade e pelas manifestações em massa contra pressões econômicas, incluindo os altos preços dos combustíveis. Nunez afirmou que a grande presença policial impediu a repetição da violência registrada no início deste mês. No entanto, questionado pela BFM TV nesta segunda-feira se esperava novos distúrbios durante as manifestações previstas para 31 de outubro, respondeu: “Claramente, sim”. “A noite de Halloween é tradicionalmente sempre um pouco agitada. Esperamos que seja complicada novamente”, acrescentou. Nunez disse que 1.435 pessoas foram presas em todo o país durante as manifestações de sábado e afirmou que a polícia também registrou um fenômeno novo, com grupos organizados de extrema direita enfrentando ativistas de extrema esquerda em várias cidades. “Sabíamos que havia convocações de numerosos movimentos identitários e nacionalistas para sair às ruas, oficialmente, para defender os estabelecimentos comerciais”, disse. “Em várias cidades, como Nice e Montpellier, esses grupos chegaram de forma organizada, principalmente para atacar o movimento de ultraesquerda.” O governo procurou apresentar a operação de sábado como prova de que havia recuperado o controle da situação, apesar dos episódios esporádicos de violência, especialmente nas três maiores cidades da França — Paris, Marselha e Lyon. “O Estado prevaleceu neste fim de semana. O Estado foi forte”, disse a porta-voz do governo, Maud Bregeon, à rádio RTL. Ela afirmou que os manifestantes haviam apresentado reivindicações legítimas que precisavam ser ouvidas, mas acrescentou que o restabelecimento da calma era uma condição necessária para negociações significativas. O presidente da França, Emmanuel Macron, durante encontro com policiais em Marselha AP/Aurelien Morissard, Pool Com seu mandato presidencial previsto para terminar em abril e as finanças públicas sob forte pressão, Macron tem margem limitada para amenizar a crise por meio de concessões dispendiosas, como as que ajudaram a conter ondas anteriores de protestos. Representantes do setor empresarial afirmaram que os distúrbios continuavam causando graves prejuízos econômicos, apesar de um fim de semana mais tranquilo. Alain Di Crescenzo, presidente da rede CCI France, que reúne câmaras de comércio e indústria, disse que muitos varejistas permaneceram fechados por precaução após a violência de 17 de outubro, acrescentando que as vendas haviam caído cerca de 80%. “Temos comerciantes cansados e desmoralizados, e estamos matando o comércio local”, disse à Radio Classique.

CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real