Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (IEA), alertou em Berlim que a Europa está entrando no inverno com reservas de gás em níveis historicamente baixos e não conseguirá suportar novos choques de oferta. Ele destacou que as interrupções nas cadeias de suprimento globais, causadas pela guerra entre EUA-Israel e Irã, afetam todas as regiões, mas a Europa é particularmente vulnerável. Atualmente, os estoques de gás da União Europeia estão em apenas 72% da capacidade, bem abaixo da média usual de 90% para esta época do ano, o que representa um déficit energético equivalente ao consumo de 10 a 12 milhões de residências. Birol mencionou que quase um décimo do GNL (gás natural liquefeito) que chega ao continente transitava pelo Estreito de Hormuz antes do conflito, e os ataques do Irã a embarcações reduziram drasticamente as importações. Além disso, a Europa enfrenta escassez de produtos refinados como o diesel, impulsionada pelos ataques da Ucrânia a refinarias russas, que paralisaram cerca de um terço das entregas russas. Em março, o G7 coordenou a liberação de 400 milhões de barris de petróleo bruto e diesel de suas reservas estratégicas, em uma ação que Birol supervisionou.
Acompanhar a evolução do conflito entre EUA-Israel e Irã no Estreito de Hormuz, que dita a continuidade das interrupções de fornecimento de GNL. A temperatura do inverno europeu será um fator crítico, com invernos rigorosos aumentando a demanda e pressionando ainda mais os preços. A decisão dos ministros de energia da UE sobre o racionamento de consumo, esperada nas próximas semanas, definirá a resposta política à crise.
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