O dólar abriu a segunda-feira, 26 de outubro, a R$ 5,4247, alta de 8,64% sobre o fechamento de sexta-feira, e bateu R$ 5,60 nos primeiros 30 minutos de pregão. A B3 ampliou, para a sessão, de 6% para 12% o limite de alta dos contratos futuros de dólar, e o Ibovespa futuro recuou até 17% antes de o mercado de ações abrir. O movimento seguiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno de domingo, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos sobre Flávio Bolsonaro (PL), invertendo a ordem do primeiro turno. O dólar encerrou a sessão a R$ 5,403 e o DI para janeiro de 2035, a 14,585%. Três semanas antes, o movimento tinha sido o oposto. Em 5 de outubro, primeira sessão depois do primeiro turno, o dólar recuou 4,12% e fechou a R$ 5,0022, a queda diária mais forte desde junho de 2018, e o mercado passou a trabalhar com um só desfecho para a eleição. Na sexta-feira, 23, último pregão antes da votação, o dólar fechou abaixo de R$ 5,00. O que a mesa publicou antes do resultado O nível que o dólar tocou na manhã de segunda está no playbook Importação Blindada, que a GX Capital publicou em maio: uma faixa de R$ 5,45 a R$ 5,55 para o pico de estresse eleitoral, entre agosto e outubro, alta de até 13% sobre a cotação de então, R$ 4,91. Para setembro e outubro, o checklist do playbook mandava manter a proteção ativa e evitar exposição nova. Em 8 de outubro, neste espaço, quando o dólar rondava R$ 5, a GX observou que o pico ainda não tinha chegado. Ele veio 18 dias depois, ainda dentro da janela. "A orientação do playbook para outubro era ficar de fora ou com hedge, sem tirar o pé por causa da calmaria. O estresse de R$ 5,55 veio na última semana do mês: quem manteve a proteção ativa e fechou novembro e dezembro em NDF chegou a 26 de outubro com o custo já protegido", afirma Vinicius Teixeira, sócio da GX Capital. Em 14 de outubro, entre os turnos, também neste espaço, a GX argumentou que o segundo turno ainda não estava no preço e que, com o mercado apostando num só desfecho, ficara barato se proteger do outro. A recomendação foi, para o importador, fixar em NDF as parcelas de novembro e dezembro e manter uma parcela pequena em opção de compra com vencimento depois de 25 de outubro; para o exportador, fixar metade do embarque de novembro, com piso para a outra metade. "Dois pontos de diferença no primeiro turno dizem que o segundo ainda é eleição, não evento precificado. A carteira tem que estar desenhada para a manhã de 26 de outubro nos dois resultados", disse Teixeira na ocasião. O que cada camada fez na segunda-feira No desenho em camadas, nenhuma ponta precisava acertar o resultado. Para o importador, as parcelas de novembro e dezembro fixadas em NDF na casa de R$ 5 ficaram bem abaixo da abertura de segunda, e a parcela em opção de compra, que custava pouco entre os turnos porque quase ninguém pagava por ela, passou a ter valor. Quem deixou as compras do fim do ano para a cotação do dia paga agora o preço do choque. Para o exportador, o efeito foi simétrico. A metade fixada em NDF de venda deixou de capturar a alta, a metade aberta passou a converter acima de R$ 5,40 na abertura, e o custo do piso, que não foi exercido, se limitou ao prêmio pago. O câmbio médio do embarque ficou entre os dois cenários, que é o objetivo do método: proteger a margem sem depender de acertar a urna. Como remontar as camadas de 2027 A pergunta das tesourarias agora é o primeiro semestre de 2027, e o próprio checklist do playbook reservava novembro e dezembro para renegociar os hedges do ano seguinte. A tentação do importador é proteger tudo antes que a moeda suba mais; a do exportador, vender todo o dólar da safra com a cotação acima de R$ 5,40. Para a GX, as duas reações repetem o erro de 5 de outubro com o sinal trocado: decidir o ano pela cotação de uma sessão. "O orçamento de 2027 não pode usar o dólar de um dia. A mesa monta as camadas do primeiro semestre a partir do custo médio que a empresa já tem contratado, não da cotação da manhã do resultado", afirma Teixeira. O método da mesa divide o semestre em três blocos: uma parte da necessidade do primeiro trimestre fixada em NDF ainda em dezembro, outra em parcelas mensais ao longo do semestre e uma fração em opção. A conta das opções, porém, mudou. Com a volatilidade em alta depois do choque, a mesma parcela que custava pouco entre os turnos ficou mais cara, o que desloca o peso das camadas para o NDF parcelado até a volatilidade ceder. Para o exportador, a lógica se repete do lado da receita, com NDF de venda escalonado e ACC sobre os embarques do semestre, no que a gestora chama de hedge em camadas. A GX defende ainda uma ordem para as decisões de novembro: o câmbio de 2027 vem depois do caixa. O custo do crédito, pressionado pela alta dos juros futuros depois do resultado, define quanto a empresa pode comprometer com proteção, e por isso o orçamento cambial não deveria ser fechado antes da renegociação da dívida. A resposta para a tesouraria A GX, com mais de R$ 2 bilhões em volume estruturado, dimensiona e precifica cada camada no Aurum IA, sua tecnologia própria, disponível no aplicativo do cliente. Hedge cambial depois da eleição, portanto, não é refazer a proteção na manhã do choque: é remontar as camadas do primeiro semestre a partir do custo médio já contratado, com a dívida resolvida antes.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real