Os contratos futuros de Brent para outubro subiram 1,05% para US$ 91,98 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), enquanto o WTI também avançou na Nymex, em meio a preocupações com o abastecimento. O mecanismo de mercado reflete um prêmio de risco geopolítico sobre a commodity, mas a intensidade e a sustentabilidade desse prêmio são questionáveis, dado o histórico de rápida normalização após picos de tensão. Consequentemente, empresas produtoras como XOM e PETR4 podem ver seus ganhos serem revertidos, enquanto as aéreas AZUL4 e GOLL4 continuam pressionadas por custos de combustível elevados. No Brasil, a alta do petróleo contribui para a pressão inflacionária e desvalorização do BRL, embora a Petrobras possa se beneficiar marginalmente. Em 2019, ataques a instalações de petróleo na Arábia Saudita causaram um pico imediato nos preços, que se normalizaram rapidamente devido à capacidade de resposta da oferta global. O próximo gatilho a monitorar será qualquer avanço diplomático nas negociações EUA-Irã ou dados concretos sobre o fluxo de embarcações em Ormuz, que podem dissipar o prêmio de risco atual. No médio prazo, a persistência de um prêmio elevado dependerá da materialização de interrupções de oferta, não apenas da incerteza percebida.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que o rali do petróleo enfrente resistência, com o Brent negociando entre US$88 e US$95. O principal gatilho para uma reversão seria um anúncio de progresso nas negociações EUA-Irã ou a divulgação de dados que confirmem a normalização do fluxo em Ormuz. Se o prêmio de risco geopolítico diminuir, o mercado pode ver uma correção nos ativos de energia e uma recuperação gradual em setores sensíveis a custos.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real