O Banco Central (BC) informou hoje que foram registrados 99 incidentes cibernéticos até setembro ante 76 de todo ano de 2025. Segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), os eventos causaram perdas relevantes em casos específicos, mas não comprometeram o funcionamento do sistema financeiro nacional (SFN) neste ano. De acordo com o BC, o crescimento dos casos deve ser "analisado em conjunto ao aprimoramento da capacidade de monitoramento e de detecção desses eventos". Dos 99 incidentes registrados, 68 foram classificados como fraude. "As fraudes representam 73% dos incidentes, evidenciando vulnerabilidades relacionadas a gestão de terceiros, credenciais privilegiadas e Application Programming Interface (API)", informa o relatório. O BC declarou que a quantidade de eventos classificados como fraude já representa um aumento de 74% em relação ao todo ano passado, quando foram 39. A autoridade monetária afirmou que seguirá monitorando e atuando na resposta a incidentes cibernéticos relevantes e continuará desenvolvendo iniciativas para fortalecer a resiliência cibernética e operacional do setor. Em agosto, os respondentes do sistema financeiro dissram ao BC que houve um aumento na frequência e na sofisticação desses ataques. Esse aprimoramento foi potencialmente impactado pelos avanços em inteligência artificial e aprimoramentos nas técnicas de engenharia social. Em diversos eventos, diz o BC, observou-se a combinação de comprometimento de ambientes computacionais, a obtenção ou utilização indevida de credenciais válidas, a elevação de privilégios e a automação de transações fraudulentas. "As táticas, as técnicas e os procedimentos verificados demonstraram conhecimento sobre a estrutura de mensageria do SPB (Sistema de Pagamentos Brasileiro), a operação de contas mantidas para fins de liquidação, os processos internos das instituições e a arquitetura das soluções tecnológicas utilizadas", disse. O BC informou que as crescentes digitalização e interconexão do setor ampliam os pontos de vulnerabilidade e o potencial de propagação de incidentes, "com possibilidade para gerar interrupções de serviços críticos, perda de confiança, contágio e deterioração da liquidez". Segundo o relatório, os incidentes registrados em prestadores de serviços seguem como ponto de atenção dado o potencial de propagação de fragilidades concentradas em terceiros. "O acesso indevido ao ambiente de um fornecedor de solução tecnológica possibilitou a obtenção de chaves privadas associadas a certificado digital utilizado por instituição contratante", disse. Em um dos principais eventos observados em 2026, o BC disse que os certificados não haviam sido desativados após mudanças no modelo de conexão e o envido de mensagem fraudulentas que aparentavam legitimidade. A identificação de risco semelhante para outras instituições resultou na adoção de medidas prudenciais preventivas, incluindo a limitação temporária de operações e a substituição de certificados digitais. Em levantamento junto a 1.365 instituições supervisionadas, o BC concluiu que a automação ampliou a velocidade das ações fraudulentas e reduziu o tempo disponível para contenção dos incidentes. "Os eventos recentes reforçam a necessidade de combinar controles preventivos robustos com mecanismos de detecção e resposta tempestivos", pontuou o BC.
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