Dólar dispara pós-eleição de Lula; gestores divergem sobre alocação externa

A valorização do dólar na semana seguinte à reeleição do presidente Lula, em 26 de outubro, impulsionou a discussão sobre a fatia ideal do patrimônio alocada em moeda americana. O dólar, que havia fechado abaixo de R$ 5 na sexta-feira anterior, subiu para R$ 5,40 no primeiro pregão pós-eleição e atingiu R$ 5,44 na sexta-feira (30), marcando a maior cotação de 2026. Durante o pregão do dia 26, a moeda americana chegou a R$ 5,60. Especialistas como Bruno Shahini, da Nomad, e Luis Ferreira, do EFG Bank, sugerem desviar o foco do câmbio no curto prazo, enfatizando o rendimento de ativos como o S&P 500 (79% em dólares nos últimos cinco anos, ou 12,3% ao ano). Ian Cao, da Gama Investimentos, alerta que reagir ao pânico configura um 'trade', não um investimento, e pode gerar prejuízos. A Nomad sugere uma faixa de 20% a 40% do portfólio total para investidores moderados, podendo chegar a 50% ou 80% para os mais sofisticados. Cao defende um piso de 20% no exterior, enquanto Ferreira menciona 25% a 50% para famílias específicas, ressaltando que não há fórmula única. Um estudo do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef), publicado em setembro, revelou que apenas 6,3% do patrimônio declarado ao Imposto de Renda no Brasil está no exterior. O estudo também apontou uma estimativa anterior de que ao menos 16% deveriam estar fora do país para neutralizar o efeito do dólar sobre o consumo. Gustavo Farhat, do Sunstate Bank, destaca que a concentração patrimonial no Brasil expõe o investidor a riscos econômicos, fiscais, políticos, regulatórios e cambiais de um único país.

Análise

A direção futura do dólar dependerá da evolução da política econômica do governo Lula e da percepção de risco fiscal por parte dos agentes de mercado. Acompanhar as próximas decisões do Copom em 04/11/2026 sobre a taxa Selic e a divulgação do relatório de emprego dos EUA em 06/11/2026 pode influenciar a dinâmica cambial. A reavaliação das projeções de inflação ao consumidor dos EUA (CPI) em 10/11/2026 também impactará a força relativa do dólar globalmente.

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