SpaceX (SPCX34) e Tesla (TSLA34): Empresas de Musk divulgam resultados do 3T26 e avaliam potencial ‘maior fusão da histó

No vaivém de Elon Musk, o homem mais rico do mundo e primeiro trilionário da história, suas ideias e projetos se tornam pauta no mundo inteiro. Muito provavelmente, você ouviu falar recentemente de uma de suas apostas mais comentadas, o protótipo do novo carro “voador” da Tesla, sua montadora de veículos elétricos, capaz de realizar saltos curtos e pousar suavemente após pequenas quedas. Fonte: Canal da Tesla no YouTube. No mercado financeiro, as empresas de Musk também estão sempre em evidência e movimentam suas ações. As duas companhias do empresário divulgaram seus resultados do 3T26. Além dos números fortes, um dos principais catalisadores para os papéis foi a possibilidade de fusão entre as gigantes da bolsa americana SpaceX (B3: SPCX34 | Nasdaq: SPCX) e Tesla (B3: TSLA34 | Nasdaq: TSLA). SpaceX supera com folga as expectativas A primeira a divulgar seus resultados foi a SpaceX, empresa de exploração espacial, que superou com folga as expectativas do mercado. A receita totalizou US$ 14,58 bilhões (+161% a/a), quase US$ 2 bilhões acima do consenso. O destaque foi o segmento de Super Intelligence, que reúne a antiga xAI e o Cursor e alcançou US$ 7,56 bilhões, cerca de nove vezes o registrado no mesmo período do ano anterior. O avanço foi impulsionado por novos contratos de aluguel de capacidade computacional para clientes como Google e Anthropic, e o segmento já responde por mais da metade do faturamento. Já a área de conectividade, que reúne a Starlink, faturou US$ 5,25 bilhões (+69% a/a), com 13,6 milhões de assinantes residenciais e PME, praticamente o dobro de um ano antes, além de um avanço de 91% a/a nos clientes corporativos e governamentais. Por fim, o segmento de lançamentos de foguetes faturou US$ 1,77 bilhão (+6% a/a), impulsionado pela primeira missão comercial da Starship. Fonte: Spacex. Elaboração: Empiricus. Com isso, o lucro operacional da companhia foi de US$ 2,79 bilhões, ante prejuízo de US$ 273 milhões um ano antes, com margem operacional de 19,1% (+24 p.p. a/a). O lucro líquido chegou a US$ 4,4 bilhões, revertendo o prejuízo de US$ 1,1 bilhão do 3T25, e o lucro por ação ajustado de US$ 0,45 ficou muito acima dos US$ 0,13 esperados. Em relação ao guidance, a companhia projetou receita entre US$ 33 bilhões e US$ 37 bilhões para o 1T27, bem acima do consenso de US$ 22,2 bilhões, sustentada pela visibilidade dos contratos de capacidade computacional já assinados para os próximos seis meses. Diante da sequência de fatores positivos, as ações subiram 7,8% no pregão de ontem. Tesla: gastos operacionais elevados e resultados mistos Já a Tesla, que havia decepcionado no trimestre anterior com uma rentabilidade abaixo do esperado, apresentou resultados mistos, com algumas linhas acima das estimativas. A receita somou US$ 28,05 bilhões, estável na comparação anual e em linha com o esperado, com a receita automotiva caindo 3%, com entregas de 486,5 mil veículos (-2% a/a), limitadas pela disponibilidade de baterias, enquanto a área de energia recuou 16%, ambas parcialmente compensadas pela frente de serviços, que avançou 33%. Fonte: Tesla. Elaboração: Empiricus. Por outro lado, a margem bruta consolidada avançou para 19,6% (+1,6 p.p. a/a), impulsionada por um mix de produtos mais favorável no segmento automotivo, pelas assinaturas do FSD (sistema de direção assistida com receita recorrente e menor custo marginal) e pela maior participação da frente de serviços, que naturalmente possui margens mais elevadas. Os gastos operacionais no período foram elevados, puxados por pesquisa e desenvolvimento em capacidade computacional, chips próprios e na pré-produção do robô Optimus (robô humanoide para tarefas físicas), do Cybercab (veículo autônomo projetado para transporte por aplicativo) e do caminhão Semi (caminhão elétrico para transporte de cargas pesadas). Com isso, a margem operacional recuou para 2,6% (-3,2 p.p. a/a), em linha com o esperado. Por fim, o lucro líquido ajustado foi de US$ 1,70 bilhão (-4% a/a), com lucro por ação ajustado de US$ 0,48, acima dos US$ 0,43 esperados. Apesar de a ação ter avançado cerca de 2% no after market de quarta (21), embalada pela expectativa de fusão, o papel passou a cair na abertura do pregão, em meio a notícias sobre um plano de corte de investimentos. Fusão de gigantes? Potenciais sinergias esbarram em desafios de governança Na teleconferência da SpaceX, Musk afirmou que as duas empresas criaram comitês independentes para avaliar uma fusão, a pedido dos acionistas. Ele está afastado das discussões por conflito de interesses e ainda não há acordo, nem garantia, de que a operação ocorrerá. A Tesla não trouxe novidades sobre o tema. Musk destacou sinergias em software de superinteligência, chips, Terafab (fábrica conjunta de semicondutores), robótica, satélites com processamento em órbita e conectividade. A Tesla forneceria robôs, veículos autônomos e energia, enquanto a SpaceX contribuiria com computação, satélites e lançamentos, formando uma gigante verticalizada de inteligência artificial avaliada em cerca de US$ 3,5 trilhões, potencialmente a maior fusão da história. Renderização digital da megaestrutura planejada para a futura Terafab no Texas. Fonte: Terafab. Em Wall Street, muitos veem a fusão como questão de quando, não de se, mas divergem sobre o prêmio aos acionistas da Tesla. O JPMorgan estima um prêmio de 30% a 35% em uma operação integralmente em ações liderada pela companhia espacial, enquanto o RBC projeta 20% a 35%. Outros não esperam prêmio relevante, dada a sobreposição acionária. A união também permitiria compartilhar estruturas e captar recursos, aliviando a pressão sobre o caixa da exploradora espacial com os gastos crescentes em infraestrutura de IA. O principal obstáculo é a aprovação dos acionistas da Tesla, que exige votos favoráveis de mais da metade de todas as ações. Há também dúvidas de governança, pois Musk controla cerca de 85% dos votos da SpaceX e 20% da Tesla, podendo elevar sua participação no grupo combinado a aproximadamente 57%. Além disso, existem riscos regulatórios, sobretudo na China, devido aos vínculos dela com a defesa americana. SpaceX e Tesla: resultados trazem histórias distintas Os resultados deixam duas histórias distintas, mas conectadas pela estratégia de Musk. De um lado, a empresa aeroespacial acelera o crescimento e amplia sua atuação em inteligência artificial. De outro, a Tesla busca equilibrar rentabilidade e investimentos em novas tecnologias. A possível fusão entre as duas adiciona complexidade à análise, com potenciais sinergias, mas também desafios de governança e execução. Os próximos passos devem ajudar a dimensionar o impacto dessa operação para ambas as companhias. O post SpaceX (SPCX34) e Tesla (TSLA34): Empresas de Musk divulgam resultados do 3T26 e avaliam potencial ‘maior fusão da história’ apareceu primeiro em Empiricus.

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