Centenas de funcionários do ueno bank e de outras empresas do Grupo Vázquez protestaram diante do Ministério do Trabalho, reivindicando indenizações trabalhistas e salários atrasados, com seus empregos ainda incertos. Na mesma quinta‑feira, o presidente paraguaio Santiago Peña renunciou em meio à crise provocada pela quebra do banco digital. A Superintendência de Bancos do Paraguai constatou que o ueno ultrapassou limites de crédito ao Grupo Hendy, Grupo M e Mowi, e, em 15 de junho, simulou a venda à vista de uma carteira inadimplente avaliada em US$ 74,4 milhões ao Vinanzas S.A., empresa do mesmo conglomerado. Investigações apontam que a operação foi financiada por empréstimos a outras companhias que repassaram recursos ao Vinanzas, além de compras e vendas fragmentadas de títulos para dificultar a fiscalização. O Ministério Público decretou prisão de oito diretores do ueno, com seis presos preventivamente e dois em prisão domiciliar. A investigação abrange 26 pessoas. Até outubro, o ueno reportava aproximadamente US$ 800 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social (IPS) e de entidades ligadas às usinas hidrelétricas binacionais de Itaipu e Yacyretá. O presidente Peña havia defendido o banco, alegando campanha difamatória, e mantinha participação acionária no Grupo Vázquez até março de 2025. Ele também nomeou Carlos Carvallo para presidir o Banco Central, que renunciou após a resolução do ueno, sendo substituído por Raúl Vera Bogado.
A definição do desfecho dependerá da conclusão das investigações judiciais sobre a operação de venda simulada da carteira inadimplente e da decisão do Tribunal de Justiça do Paraguai sobre a responsabilidade dos diretores, previstas para serem publicadas até o final de dezembro de 2026.
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