Não é sempre que o Departamento de Estado americano sob a chefia de Marco Rubio cumprimenta um presidente recém-eleito, mas, quando o faz, não costuma deixar passar do dia seguinte do pleito. Corridos cinco dias da eleição presidencial no Brasil, porém, os EUA ainda não cumprimentaram oficialmente via Departamento de Estado, como é de praxe, o Brasil e o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com Rubio no Departamento de Estado, Equador (Daniel Noboa), Colômbia (Abelardo de la Espriella), Honduras (Nasry Asfura) e Chile (José Antonio Kast) receberam cumprimentos por suas eleições no mesmo dia do pleito. Peru (Keiko Fujimori), Costa Rica (Laura Fernández) e Polônia (Karol Nawrocki) receberam cumprimentos no dia seguinte. Todos esses países são bastante alinhados a Trump e a seu grupo mais ideológico, o Maga ("make America great again", ou "faça a América boa de novo"). Mesmo aliados menos ideológicos e mais pragmáticos receberam cumprimentos no mesmo dia da vitória, como na Coreia do Sul (Yoon Suk-yeol), Guiana (Irfaan Ali) e Bolívia (Rodrigo Paz Pereira). Todos esses presidentes também têm em comum o fato de terem reconhecido a vitória de Lula e cumprimentado o presidente. Enquanto não há um posicionamento oficial dos EUA via Departamento de Estado, o presidente Donald Trump é questionado por jornalistas e desconversa. Após ser perguntado se concordava com uma versão inicial de uma carta divulgada pelo ex-candidato à Presidência do Brasil Flávio Bolsonaro em que ele afirmava ser o "presidente eleito" do país, Trump disse: “Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver". Mas emendou, como tem feito, que "foi uma eleição muito estranha". Entre analistas em Washington, a avaliação é a de que Trump evita o desgaste de não reconhecer o governo Lula 4, ao mesmo tempo que mantém aberta a porta para que a ala mais ideológica de seu entorno, sobretudo aquela ligada a Rubio, continue impondo sua visão para a América Latina. Com essa agenda, dizem, Rubio quer agradar, por exemplo, Steve Bannon, ex-estrategista-chefe da Casa Branca, e os filhos de Trump, em busca de apoio a seu nome na corrida presidencial de 2028, isolando o vice-presidente J.D. Vance como sucessor natural. No dia seguinte à eleição, Bannon, por exemplo, disse que o Secretário de Estado e o presidente americanos precisavam "vir a público agora, cortar relações diplomáticas e encerrar tudo com o Brasil". Mark Schiefelbein, Pool/AP
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