Pela primeira vez na história recente, os primary dealers, grandes bancos que atuam como intermediários do Tesouro, estão com posição líquida vendida em títulos de dívida que costumavam deter em bilhões de dólares. Essa mudança sem precedentes sugere uma expectativa de queda nos preços dos títulos e, consequentemente, um aumento nos rendimentos, impactando negativamente ETFs como TLT e ativos de risco. Para o Brasil, a pressão de juros globais mais altos pode levar à desvalorização do BRL e afetar negativamente setores sensíveis à taxa Selic, como varejo e construção. Um paralelo histórico pode ser traçado com o 'Taper Tantrum' de 2013, quando a sinalização de redução das compras de títulos pelo Fed gerou forte alta nos yields, com os Treasuries de 10 anos caindo aproximadamente 10% em poucos meses. O próximo gatilho a monitorar são os dados de inflação e as comunicações dos bancos centrais, que podem acelerar ou desacelerar essa tendência. No médio prazo, o cenário aponta para um período de taxas de juros globais potencialmente mais altas e maior volatilidade nos mercados de renda fixa.
Nas próximas 2-4 semanas, espera-se que os rendimentos dos Treasuries de 10 anos ($4.57% hoje) continuem sob pressão de alta, podendo testar 4.70-4.80%, impulsionados pela postura dos primary dealers e dados de inflação. Se o CPI dos EUA surpreender para cima, o movimento pode se acelerar, com o TLT ($84.47 hoje) podendo cair mais 2-3%. No médio prazo (1-3 meses), a persistência dessa tendência pode levar a uma reavaliação dos múltiplos de ativos de risco e a um fortalecimento do dólar.
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