IFIX sofre tombo histórico após eleições; veja os FIIs mais afetados A manhã desta segunda-feira (26) começou com uma das quedas mais acentuadas já vistas no índice de fundos imobiliários da B3. Às 11h02, o IFIX recuava 7,98%, aos 3.672 pontos, muito próximo da mínima intradiária, de 3.671 pontos. O ajuste ocorreu após o segundo turno das Eleições 2026. O índice partiu da região de 3.990 pontos, concentrou a maior parte do tombo nos dez primeiros minutos de pregão e, a partir de 10h46, passou a oscilar de lado. A B3 interrompeu por meia hora as negociações do mercado à vista após a queda superar 10%, ac acionando um mecanismo que não era utilizado desde março de 2020. O IFIX iniciou sua negociação apenas depois do horário habitual. Com tanta incerteza no Brasil, muita gente desistiu da bolsa. A Suno não. Na maior Black Friday da nossa história, vamos provar com dados por que investir no longo prazo em boas empresas ainda é a melhor estratégia. Live gratuita, 04/11, às 20h. Clique e inscreva-se. Na reabertura, o Ibovespa chegou a ceder perto de 17%, enquanto o dólar avançou mais de 12% e superou R$ 5,60. Entre os FIIs, o movimento foi guiado, sobretudo, pela reprecificação dos juros futuros mais longos. IFIX recua após as Eleições 2026 O resultado do segundo turno das Eleições 2026 reconduziu Lula à Presidência com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), uma diferença de cerca de 4,4 milhões de votos. O desfecho contrariou parte relevante dos investidores, que apostavam em troca de governo desde meados de agosto. Os contratos de DI de prazo mais longo saltaram mais de 2,6 pontos percentuais, e o Tesouro desistiu dos leilões de títulos prefixados e indexados à inflação programados para a semana. Quando a renda fixa passa a pagar mais, o investidor “exige” retorno maior dos fundos imobiliários para permanecer nas posições — ajuste que se materializa pela desvalorização das cotas. H2: IFIX antes do segundo turno das Eleições 2026 Na sexta-feira (23), o IFIX encerrou a 3.990,57 pontos, máxima de 52 semanas, acumulando alta de 6,27% em outubro. A queda desta segunda eliminou integralmente esse ganho e colocou o índice abaixo do patamar de abertura do mês. Boa parte da valorização recente veio após o primeiro turno das eleições, que colocou o candidato do PL em vantagem e reforçou apostas em política fiscal mais restritiva, com impacto benigno sobre inflação e juros. Nos dois pregões subsequentes àquela votação, o índice avançou 3,63%. A perda desta manhã supera em mais do que o dobro esse movimento. Escritórios e shoppings lideram perdas O ranking de desempenho confirma maior impacto nos fundos de tijolo. Três dos cinco piores resultados pertencem a esse grupo, sendo dois de lajes corporativas — segmento que havia puxado a alta da semana anterior, com ganho de 4,05%. Como ativos de longo prazo, esses veículos são sensíveis à taxa usada para descontar os aluguéis futuros a valor presente. Com a disparada dos juros reais, essa conta piora de imediato. Fundos de fundos, por carregarem cotas de vários FIIs, tendem a replicar o movimento em escala ampliada. Maiores quedas do IFIX até as 11h02: RPRI11: -17,00% TOPP11: -16,18% JSAF11: -15,93% PVBI11: -15,23% HSML11: -15,13% A liderança das perdas por um fundo de crédito, o RPRI11, indica reprecificação também nas carteiras de CRIs corrigidos pela inflação. Até o momento, não há FII do índice em alta. As quedas mais moderadas se concentram em fundos de recebíveis e estratégias menos expostas aos juros longos. Menores quedas do IFIX até as 11h02: KNUQ11: -2,83% TVRI11: -2,88% SNCI11: -3,50% HCTR11: -4,14% SNEL11: -4,52% O histórico das eleições anteriores Na própria sexta-feira, a XP apontou esse risco. A equipe de fundos listados lembrou que o IFIX costuma reagir mal no curto prazo quando o mercado se frustra com o vencedor e positivamente no cenário oposto, como em 2018. Levantamento da corretora sobre os pleitos de 2014, 2018 e 2022 mostra esse padrão. Pela mediana dos três ciclos, o índice caiu 9,6% no trimestre posterior ao segundo turno, mas fechou o período de um ano com ganho de 5,4%. A perda acumulada em poucas horas nesta segunda, portanto, já se aproxima do que historicamente levou três meses. O estudo ressalta a amostra reduzida e mudanças relevantes na composição do índice. Nesses ciclos, o IFIX recuperou terreno ao longo dos doze meses seguintes à votação, enquanto o Ibovespa caminhou na direção contrária. O comportamento dos fundos imobiliários nas próximas semanas dependerá das sinalizações sobre a equipe econômica e das primeiras decisões fiscais do novo mandato após as eleições, que indicarão se a alta dos juros tende a persistir ou se parte do movimento de hoje foi exagerada.
CryptoAlerta — análise de criptomoedas e mercado em tempo real