O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens de contas e empresas do advogado Willer Tomaz, amigo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Também foi determinada uma análise sobre a rede de correntistas da empresa Alcazar Holdings, dona da conta que tinha Flávio cadastrado como “usuário master”. O caso tramita em segredo de Justiça. O inquérito apura a suposta participação de Flávio e Willer em um esquema de lavagem de dinheiro. A apuração foi iniciada na justiça do Rio Grande do Sul para apurar evasão de divisas e apostas virtuais para lavar dinheiro. O caso subiu ao STF após menções a Flávio. Foi determinada a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial de Willer e das empresas Alcazar Brasil LTDA, Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings, e Catedral - Holdings SGPS. A Moraes, a Polícia Federal (PF) disse que o perfil de “usuário master” de Flávio deu ao candidato “elevado nível de acesso” a uma conta do Santander em nome da Alcazar Holdings, administrada por Willer e com sede em Portugal. O acesso à conta foi excluído em maio de 2025. Para a PF, mensagens indicam que Flávio teria poder de movimentar as contas da Alcazar Holdings até a data em que foi excluído. “Na documentação relativa à abertura da conta bancária da empresa Alcazar Holding, verificou-se que Flávio Bolsonaro figurava com perfil de usuário master, condição que, em princípio, lhe conferia acesso e gerenciamento da conta”, disseram os investigadores a Moraes. Além das quebras de sigilo, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes de Willer, inclusive um diplomático, e a suspensão de atividades econômicas, financeiras e empresariais de todas as suas empresas. As medidas foram tomadas porque, segundo a PF, Willer teria deixado o Brasil em agosto, depois de ser alvo da Operação Sem Desconto, que apura desvios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF também diz ter encontrado nos arquivos de Willer uma minuta de “intenção de venda da participação societária” da Alcazar em relação a um avião Legacy. A Alcazar detinha uma quota da aeronave, assim como a Prime You, de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Procurado, Willer disse que as determinações de Moraes são “desproporcionais”. “O bloqueio de até R$ 6 bilhões é uma cifra aleatória. A suspensão de todas as suas empresas impõe punição antecipada, sem acusação, processo ou condenação”, afirmou. Procurada, a defesa de Flávio Bolsonaro não respondeu até a publicação desta reportagem. Quando o e-mail sobre o “usuário master” veio à tona, Flávio afirmou que “nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas”.
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