Eleições nos EUA: as 12 disputas que podem definir o controle do Senado

Os democratas precisam de um saldo positivo de pelo menos quatro cadeiras nas eleições de meio de mandato, as chamadas "midterms", nesta terça-feira (3), para tirar dos republicanos o controle do Senado dos Estados Unidos. Leia também: Como funcionam e o que está em jogo nas eleições de meio de mandato dos EUA? Os republicanos têm atualmente uma maioria de 53 a 47, e uma vitória democrata parecia improvável no início do ano. Mas a insatisfação dos eleitores com o presidente Donald Trump, a guerra no Irã e a alta dos preços tornaram competitivas disputas em Estados antes considerados redutos republicanos, enquanto os republicanos também tentam conquistar cadeiras ocupadas pela oposição. Serão eleitos 35 dos 100 senadores nestas eleições de meio de mandato, em que os americanos também votarão nos novos 435 integrantes da Câmara dos Deputados e nos governadores de 36 Estados. Veja as disputas que podem definir o controle do Senado: Alasca O senador republicano Dan Sullivan busca a reeleição contra a ex-deputada federal democrata Mary Peltola e um candidato de fora do meio político que tem o mesmo nome de Sullivan. A coincidência de nomes não é casual. O jornal The New York Times informou na semana passada que assessores de Peltola trabalharam com advogados e integrantes da cúpula de sua campanha para recrutar candidatos que poderiam dividir os votos dos adversários. Dois deles aparecem nas cédulas eleitorais do Alasca. O ex-coordenador de campanha de Peltola disse ao jornal que a democrata tinha conhecimento da iniciativa, mas não participou diretamente dela. Trump classificou a estratégia como uma "fraude eleitoral da mais alta gravidade" e afirmou que Peltola deveria ser retirada da disputa e processada. O governador republicano do Alasca, Mike Dunleavy, determinou que uma agência estadual investigasse se houve violação da lei e se caberia apresentar acusações criminais ou adotar medidas judiciais na esfera civil. O Alasca permite que os eleitores classifiquem os candidatos por ordem de preferência, em vez de escolher apenas um nome. Os eleitores terão quatro opções, incluindo Sullivan, Peltola e o outro Dan Sullivan, que os republicanos há muito classificam como um candidato de fachada e parte de uma tentativa democrata de confundir os eleitores. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos entrou antecipadamente com uma ação na Justiça para impedir a certificação dos resultados eleitorais do Alasca caso Sullivan perca a reeleição por uma margem estreita, mas o pedido foi negado. Peltola arrecadou US$ 37 milhões, contra quase US$ 14 milhões de Sullivan. Grupos republicanos e democratas gastaram, juntos, US$ 90 milhões, divididos quase igualmente entre os dois partidos. Trump venceu no Alasca por uma margem de 13 pontos percentuais em 2024, mas pesquisas de opinião realizadas no mês passado mostraram Peltola com uma pequena vantagem sobre Sullivan. Iowa A impopularidade de Trump, as tarifas comerciais e a guerra no Irã colocaram os republicanos na defensiva em Iowa, onde Trump venceu por 13 pontos em 2024. A decisão da senadora republicana Joni Ernst de não buscar a reeleição deixou a cadeira em aberto para uma disputa entre a deputada federal republicana Ashley Hinson e o deputado estadual democrata Josh Turek, duas vezes medalhista de ouro paralímpico. Em sua mensagem de encerramento de campanha, Hinson divulgou uma propaganda reconhecendo as dificuldades econômicas enfrentadas pelas famílias. Em uma publicação nas redes sociais, afirmou compreender o que as famílias de Iowa estão passando porque, como mãe de dois adolescentes, também está lutando por sua própria família. Turek afirmou que Hinson, que já criticou os hábitos financeiros da geração dos millennials, não sabe o que significa enfrentar dificuldades econômicas e votou a favor do aumento das despesas cotidianas ao se opor a resoluções para encerrar a guerra no Irã. O ex-atleta paralímpico arrecadou US$ 24 milhões, contra US$ 14 milhões de Hinson. Os democratas destinaram US$ 96 milhões à disputa, enquanto os republicanos desembolsaram US$ 85 milhões. Kansas O cenário político mudou tanto em favor dos democratas que o Kansas agora se tornou um Estado competitivo. Os republicanos redirecionaram recursos da Carolina do Norte para reforçar a campanha do senador Roger Marshall, que, durante sua longa carreira como ginecologista e obstetra, processou centenas de pacientes por dívidas médicas. O adversário de Marshall é Adam Hamilton, pastor fundador de uma megaigreja metodista. Hamilton arrecadou US$ 19 milhões, contra US$ 7,5 milhões de Marshall. Os democratas gastaram US$ 51 milhões na disputa, contra US$ 29 milhões dos republicanos. Trump venceu no Kansas por 16 pontos percentuais em 2024, mas o Estado elegeu duas vezes a governadora democrata Laura Kelly. Lideranças republicanas reconheceram que a disputa está acirrada e mais apertada do que gostariam. A última vez que os eleitores do Kansas elegeram um democrata para o Senado dos Estados Unidos foi em 1932. Uma pesquisa recente mostrou Hamilton com uma pequena vantagem. Adam Hamilton, candidato democrata ao Senado pelo Kansas, conversa com eleitores Nathan Howard/Reuters Maine No início do ciclo eleitoral, a principal oportunidade dos democratas de conquistar uma cadeira republicana estava no Maine, o único Estado em que um senador republicano disputa a reeleição e onde Trump foi derrotado em 2024. A senadora Susan Collins e seu adversário democrata, o ex-presidente do Senado do Maine Troy Jackson, receberam na semana passada o apoio presencial de figuras de destaque em suas campanhas. Collins fez campanha ao lado do ex-senador Joe Manchin, independente da Virgínia Ocidental que deixou o Partido Democrata em 2024, enquanto Jackson realizou um encontro com eleitores ao lado da deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, de Nova York. A participação de Manchin ao lado de Collins ocorreu depois de a senadora se distanciar de Trump em um debate no início deste mês. Na ocasião, Collins — que votou pela condenação de Trump no processo de impeachment decorrente do ataque ao Capitólio de 6 de janeiro de 2021 — reconheceu que não é a senadora favorita do presidente e afirmou que ele não iria ao Maine. Os democratas dizem que Collins só vota contra Trump quando seu voto não faz diferença — como quando se opôs a um amplo pacote de cortes de impostos no ano passado, depois de apoiá-lo em uma votação sobre procedimentos legislativos. Os democratas também esperam que os eleitores a responsabilizem por ajudar a confirmar Brett Kavanaugh para a Suprema Corte dos EUA, o que levou à revogação do direito ao aborto em âmbito federal. A oposição a Trump, porém, enfrenta seus próprios problemas. O candidato inicialmente escolhido pelo partido, o criador de ostras progressista Graham Platner, foi pressionado a desistir após acusações de agressão sexual, obrigando o partido no Estado a buscar às pressas um novo candidato. Platner negou as acusações. Jackson, também progressista, foi escolhido para substituir Platner, mas tem recebido críticas por sua forma de tratar as mulheres. Ele afirmou publicamente que não se arrepende de ter mandado Collins "calar a boca" em um debate recente. Aliadas de Jackson defenderam publicamente seu caráter e sua atuação legislativa na semana passada, quando a organização Maine Women's Lobby declarou apoio a ele em vez de Collins. O democrata arrecadou cerca de US$ 1,5 milhão a mais que Collins, apesar de ter entrado na disputa apenas em julho. Mas grupos republicanos gastaram cerca de US$ 82 milhões na eleição, contra US$ 49 milhões dos democratas. Pesquisas recentes mostram Jackson com uma pequena vantagem ou empatado. Carolina do Norte Os republicanos parecem ter dado a disputa na Carolina do Norte como perdida, em um Estado onde até mesmo Trump sugeriu que o candidato democrata vencerá. Em um comício na semana passada em Greenville, Trump disse a seus apoiadores que era "loucura" que o ex-governador democrata Roy Cooper fosse se tornar o próximo senador do Estado. Trump venceu na Carolina do Norte por três pontos em 2024, mas a decisão do senador republicano Thom Tillis de deixar o cargo tornou a disputa deste ano uma eleição sem a participação do atual titular. O presidente americano recrutou o ex-presidente do Comitê Nacional Republicano Michael Whatley para suceder Tillis, mas o ex-dirigente partidário não conseguiu acompanhar a arrecadação de Cooper. Aliados republicanos que haviam investido pesadamente para manter a cadeira da Carolina do Norte começaram a direcionar sua atenção para outros Estados. Cooper arrecadou US$ 50 milhões, contra US$ 14 milhões de Whatley. Pesquisas recentes mostram Cooper com vantagem de 9 a 14 pontos percentuais. Ohio O democrata Sherrod Brown tenta retornar ao Senado depois de perder sua cadeira em 2024, e a insatisfação da classe trabalhadora com a guerra no Irã e o aumento dos preços pode estar favorecendo sua campanha. Desta vez, Brown enfrenta o senador Jon Husted, nomeado para substituir J.D. Vance quando o atual vice-presidente dos Estados Unidos deixou o Senado para assumir o cargo na Casa Branca. O vencedor desta eleição especial terá de disputar novamente o cargo em 2028 para conquistar um mandato completo de seis anos. A disputa em Ohio tornou-se uma das mais caras do país pelo Senado, com gastos eleitorais independentes se aproximando de US$ 400 milhões. Os republicanos investiram US$ 237 milhões, contra US$ 150 milhões dos democratas. Brown arrecadou US$ 68 milhões, contra US$ 20 milhões de Husted. Pesquisas recentes mostram Brown com vantagem de até 5 pontos percentuais ou empatado com Husted. Jon Husted, candidato republicano ao Senado por Ohio, discursa ao lado de Donald Trump Kevin Lamarque/Reuters Carolina do Sul Trump venceu na Carolina do Sul por 18 pontos percentuais em 2024. No entanto, ele também é a razão pela qual os republicanos podem perder uma cadeira em um Estado que não elege um democrata para o Senado desde 1998. Após a morte de seu aliado, o senador Lindsey Graham, Trump queria que a irmã dele, Darline, fosse nomeada para ocupar sua cadeira. Posteriormente, incentivou-a a disputar um mandato completo de seis anos, apesar de ela ser pouco conhecida e ter pouca experiência política. Graham venceu o segundo turno das primárias republicanas com o apoio de Trump, mas reconheceu durante a disputa interna que não era "tão bem informada sobre segurança nacional", uma área que admitiu "não ser sua especialidade". A democrata Annie Andrews, pediatra, arrecadou US$ 22 milhões a mais que Graham. Grupos externos republicanos destinaram US$ 22 milhões para manter a cadeira, enquanto os democratas investiram US$ 18 milhões para conquistá-la. Trump realizou um comício no Estado na semana passada, no qual Graham disse aos apoiadores que sua adversária é "completamente maluca". Em resposta, Andrews perguntou a Graham se é loucura "querer gasolina e alimentos mais baratos". Texas Nenhum democrata venceu uma eleição de abrangência estadual no Texas desde 1994. O deputado estadual James Talarico pode interromper essa sequência e enfrenta o procurador-geral republicano Ken Paxton nesse grande Estado de tendência conservadora, que frustrou repetidamente as esperanças democratas nos últimos anos. Trump venceu no Texas por quase 14 pontos percentuais em 2024. Mas os republicanos foram obrigados a gastar centenas de milhões de dólares para sustentar a candidatura do procurador-geral do Estado, Ken Paxton, envolvido em uma série de escândalos. Com o apoio do presidente, Paxton derrotou o senador republicano John Cornyn no segundo turno das primárias do partido. Cornyn era amplamente considerado um candidato com maiores chances de vitória e, após a acirrada disputa interna, não passou a apoiar Paxton. Um áudio vazado revelou divergências entre Trump e Paxton, que disse reservadamente a doadores que a convenção do presidente para as eleições de meio de mandato prejudicou sua campanha. Trump participou repetidamente da campanha nas últimas semanas antes da eleição, enquanto pesquisas mostram Paxton atrás do deputado estadual democrata James Talarico, que arrecadou US$ 124 milhões a mais que o republicano neste ciclo eleitoral. Apenas os republicanos gastaram a impressionante quantia de US$ 300 milhões no Texas. Os US$ 100 milhões gastos por grupos externos ligados aos democratas representam apenas uma fração do que os republicanos destinaram à tentativa de manter uma cadeira de importância simbólica em um Estado considerado um reduto da política republicana. Pesquisas recentes mostram Talarico com vantagem de 2 a 8 pontos percentuais. James Talarico é a esperança dos democratas para voltar ao Senado pelo Texas Kaylee Greenlee/Reuters Geórgia A Geórgia era uma das duas principais oportunidades dos republicanos de conquistar uma cadeira democrata no início do ciclo eleitoral, já que Trump venceu no Estado por 2 pontos percentuais em 2024. Mas o deputado republicano Mike Collins tem enfrentado dificuldades para ganhar força contra o senador democrata Jon Ossoff, apontado como possível candidato à Presidência em 2028. Ossoff arrecadou US$ 126 milhões a mais que Collins. E as pesquisas têm mostrado Ossoff consistentemente na liderança da disputa. O ex-presidente Barack Obama participou de um comício em Atlanta na semana passada ao lado de Ossoff e da candidata democrata ao governo da Geórgia, Keisha Lance Bottoms. Michigan Os republicanos estão mais otimistas quanto à possibilidade de conquistar uma cadeira democrata em aberto em Michigan, especialmente depois que a cúpula do Partido Democrata não conseguiu eleger sua candidata preferida. O progressista Abdul El-Sayed, que não integra a estrutura tradicional do partido, derrotou por uma margem estreita a deputada moderada Haley Stevens nas primárias, colocando-o em confronto com o republicano Mike Rogers, ex-deputado federal, no que pode ser a disputa mais acirrada deste ano por uma cadeira democrata no Senado. Rogers tem procurado explorar divisões entre eleitores negros e judeus em relação à campanha de El-Sayed. Em uma propaganda recente direcionada aos eleitores negros, Rogers apresentou El-Sayed como um candidato de pauta única, mais preocupado com Gaza do que com Michigan. Em uma reviravolta na reta final da campanha, Stevens declarou apoio a Rogers após uma aparição surpresa ao lado do candidato republicano em uma igreja de Detroit. El-Sayed participou de eventos de campanha ao lado de Obama no mês passado e divulgou uma propaganda na semana passada que buscava humanizar sua imagem, apresentando-o como um pai dedicado de duas filhas. El-Sayed, que é muçulmano, tem sido retratado de forma demonizada durante a campanha como um radical perigoso cuja lealdade não estaria voltada aos Estados Unidos. O candidato democrata arrecadou US$ 54 milhões, contra US$ 23 milhões de Rogers. Mas os republicanos destinaram US$ 157 milhões à disputa, contra US$ 89 milhões dos democratas. Pesquisas recentes mostram El-Sayed com vantagem de 6 a 9 pontos percentuais. Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado dos EUA por Michigan Brian Snyder/Reuters Minnesota Em outro Estado que poderá testar a capacidade de um progressista vencer uma disputa estadual competitiva em um território eleitoralmente dividido, a vice-governadora de Minnesota, Peggy Flanagan, enfrenta a ex-repórter de campo da NFL Michele Tafoya. A republicana se apresenta como alguém de fora da política tradicional e tenta associar Flanagan ao escândalo de fraude em programas de assistência infantil do Estado, que levou o governador democrata Tim Walz a desistir de disputar a reeleição. Em sua propaganda de encerramento de campanha, Flanagan afirma que os moradores de Minnesota enfrentam dificuldades para pagar pela gasolina e pelos alimentos, ao mesmo tempo que perdem acesso à assistência médica. Ela responsabiliza Trump "e os covardes que o acompanham", destacando que o presidente apoiou Tafoya "porque sabe que ela também fará o que ele mandar". Diferentemente de outros candidatos democratas, Flanagan está atrás de sua adversária republicana na arrecadação, com US$ 11,6 milhões, contra US$ 12,5 milhões. Mas a disputa recebeu poucos recursos de grupos externos, já que outros Estados atraíram muito mais atenção. Grupos republicanos e democratas gastaram, cada um, US$ 1,8 milhão. Flanagan tem aparecido consistentemente na liderança das pesquisas. A então candidata presidencial Kamala Harris venceu em Minnesota por 4 pontos percentuais em 2024. A cadeira ficou em aberto com a decisão da senadora democrata Tina Smith de não disputar a reeleição. A outra senadora do Estado, a democrata Amy Klobuchar, concorre ao governo de Minnesota. Se Klobuchar vencer, ela poderá nomear seu sucessor no Senado. New Hampshire Os democratas defendem outra cadeira em aberto em New Hampshire, Estado onde Harris venceu por quase 3 pontos percentuais em 2024. O deputado democrata Chris Pappas enfrenta o ex-senador John Sununu, que foi derrotado pela democrata Jeanne Shaheen em 2008. Shaheen decidiu não disputar a reeleição. Sununu se beneficia de um sobrenome conhecido na política. Seu irmão Chris foi governador até o ano passado, e seu pai — também chamado John — foi governador e chefe de gabinete da Casa Branca durante o governo do presidente George H. W. Bush. No último debate entre os candidatos, realizado na semana passada, Pappas afirmou que a eleição é uma disputa entre quem defende New Hampshire e quem apoia Trump. Ele disse aos eleitores que, se Sununu fosse tão eficiente quanto afirma, não teria sido derrotado depois de apenas um mandato no Senado. Sununu argumentou que Pappas não realizou nada após quase oito anos em Washington. Pappas arrecadou US$ 24 milhões, contra US$ 6 milhões de Sununu. Mas os republicanos gastaram US$ 37 milhões na disputa, contra US$ 24 milhões dos democratas. Pappas tem mantido uma vantagem consistente de 5 a 7 pontos percentuais nas pesquisas recentes. John Sununu, candidato republicano ao Senado por New Hampshire, conversa com eleitores Amanda Sabga/Reuters

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