A entrevista ao Valor Econômico traz a visão de Kiran Kowshik, estrategista global de moedas do Lombard Odier, de que o real ainda está acima do seu ponto de equilíbrio, mas pode ter seu prêmio reduzido após as eleições, se o ambiente externo continuar favorável. O analista ressalta que o cenário global, ao sustentar juros mais altos em economias emergentes, favorece o carry trade, mas o real pode se apreciar modestamente. Uma apreciação do real tende a reduzir custos de importação, melhorar margens de bancos que têm dívida em dólar e pressionar exportadores como mineradoras e petrolíferas. O impacto cambial pode refletir nos índices de ações brasileiras, com setores exportadores sofrendo pressão e setores de consumo interno ganhando suporte. Investidores deverão monitorar a evolução do prêmio cambial nas próximas semanas e ajustar posições em ativos sensíveis ao BRL/USD. O desdobramento político interno ainda será secundário ao viés externo, que permanece o principal orientador de preço.
Nas próximas 4‑6 semanas, monitorar o spread do real em relação ao dólar; se o real fechar acima de R$4,80, bancos como ITUB4 tendem a subir, enquanto VALE3 pode recuar. A reação dependerá da confirmação de um cenário externo estável.
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