Lula defende responsabilidade fiscal, mas reforça que 'o pobre não pagará a conta' por mais ajuste

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a política de responsabilidade fiscal do governo e elogiou os resultados econômicos do seu terceiro mandato. Em fala no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), ele reconheceu que o superávit não atende às expectativas do mercado, mas reafirmou que "o pobre não pagará a conta". "Ninguém pode falar mais de responsabilidade fiscal do que minha equipe econômica", afirmou o presidente, rebatendo uma das áreas em que o governo é mais criticado. "Quantos países do mundo têm a seriedade fiscal que nós temos?", questionou, citando como exemplos Estados Unidos, França e Japão. A redução da dívida se tornou um dos focos do período de transição para o novo mandato, em especial após a manutenção da taxa de juros a 13,75% pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nesta semana. O presidente cobrou que, sempre que for tratar da política orçamentária do Lula 3, seja comparada à gestão anterior, de Jair Bolsonaro (PL). Ao fazer isso, entretanto, ele cita dados incorretos. "Pegamos o país com déficit fiscal de 2,8% e estamos entregando o orçamento com superávit", voltou a afirmou. No entanto, quando Lula assumiu, em janeiro de 2023, o governo central registrou um superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), de R$ 46,4 bilhões. Em setembro, o país registrou superávit de R$ 4,839 bilhões, frente a um déficit de R$ 14,4 bilhões, em valores correntes, verificado em igual período de 2025. "Não é o que o sistema financeiro quer, mas é o que podemos fazer", afirmou o presidente. "O que eles mercado precisam saber é que o pobre não pagará a conta", completou. "Mesmo fazendo superávit, a gente conseguiu fazer política social", reafirmou o presidente, que disse ter conseguido "provar" que dar aumento real no salário mínimo todos os anos não aumentou a inflação. Lula disse ainda que se tornará o "fiscal" do governo. "Agora, aprovou uma coisa, vou querer saber data de entrega", completou. "O Brasil será outro neste mandato." O presidente falou após a reunião do CNPE que estabeleceu o "mapa do caminho" para a redução gradual de emissão de combustíveis fósseis. O objetivo do governo é que o plano, a ser apresentado na COP31 na semana que vem, seja um modelo global de desenvolvimento sustentável. "Eu quero em quatro anos colocar o Brasil como país desenvolvido sem depender de ninguém", afirmou. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Ricardo Stuckert/Divulgaçã

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